"Luzes do Amanhecer"

ANO I - Nº 08– Campo Grande – MS – Setembro de 2006
EDIÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA “VALE DA ESPERANÇA”
Rua Colorado n o 488, Bairro Jardim Canadá, CEP 79112-480, Campo Grande-MS.


   O Evangelho é luz suave e silenciosa que ilumina as profundezas mais obscuras do coração do homem, dizendo a ele que é necessário amar. Áulus.


 

EM DEFESA DA VIDA: SUICÍDIO - O PIOR QUE PODE FAZER CONTRA SI MESMO

                Muitas vezes algumas pessoas querem fugir da vida através do suicídio, imaginando que com isso resolveriam todos os problemas, porém cometem o erro maior que poderiam imaginar. Pois se desejando libertar-se de um suposto mal, caem numa armadilha muito maior, pior que sem volta, isto é, sem condições de resolver o problema maior que o afligia.                 Muitas vezes cometem-se erros aqui neste plano pelos mais diversos motivos, que é muito comum acontecer, mas ainda tem condições de apresentar alguma solução depois, porém no caso do suicídio, isso não é possível, porque ausentando do campo de provas, onde deveriam passar por testes imprescindíveis a sua felicidade, em muitos casos quitava certos débitos do passado, ou abriria novos horizontes para o futuro, resultando em enorme avanço na senda evolutiva, mas não, preferem a fuga, aliás, a mais desastrada possível.
                Infelizmente, muitos na hora justa de apresentarem seu testemunho, não tiveram coragem de suportar as dificuldades naturais do caminho, mas se pensassem mais um pouco, dessem mais tempo para si mesmo e raciocinasse que já vencera dificuldades maiores, certamente que evitariam cometer esse terrível engano, com lamentáveis e dolorosas conseqüências. Depois do ato consumado só restará muito sofrimento e somente em outras encarnações mais complicadas ainda, é que poderão resolver problemas que criaram com essa deserção da vida, pois que já estavam incursos em determinados artigos da lei, imaginem, agora, quando realmente cometera mais um desatino contra si mesmo, um ato deliberado pela sua vontade, muitas vezes por razões até banais, outras graves, porém todas passíveis de encontrar uma solução justa, por exemplo:
                * aquela jovem que julgara preterida em certo romance, por achar que perdera o amor maior de sua vida, de repente se atira ao suicídio, não sabia ela, que o seu príncipe encantado, ainda não havia chegado, se tivesse esperado um pouco mais, a questão seria resolvida por si mesmo, ou ainda, que aquele alguém não era exatamente o que ela merecia, porque realmente não lhe amava;
                *aquele empresário que por longos anos militara no comércio e devido alguns fatores adversos do mercado, de repente viu diante da falência e suas atividades mercantis ficando a deriva, não suportando o duro golpe, para não passar vergonha diante dos credores, segundo seu depoimento, foge pela via do suicídio. Não sabia ele que se tivesse um pouco mais de fé, aquela conjuntura adversa do mercado de repente se modificaria, pela adoção de nova política do governo, e ele com facilidade superaria os seus problemas de ordem financeira e tudo voltaria aos trilhos.
                *Aquela outra criatura por causa de uma doença insidiosa, não suportando a dor, nem o descaso das pessoas, não vira outro remédio, segundo ela, a única solução seria fugir do mundo, aniquilando-se a si mesma. Coitada! Não percebeu que aquele era o teste maior de sua existência, porém precipitou-se e podendo quitar-se diante da vida, adiou por muito tempo aquele ajuste necessário e imprescindível ao seu destino, pois que não percebera que estava naquele duro teste da enfermidade, drenando para o corpo físico aquele mal que subsistia na sua alma.
                *Outro ainda não suportando mais a consciência culpada, depois de longo tempo de remorsos e dores acerbas no campo moral, vira compelido a tirar a própria vida, pois não vislumbrava outra situação para apaziguar a sua consciência, e numa atitude deliberada decidiu por fim aos seus dias aqui neste plano, não sabia que fugindo dos problemas, não seria a maneira correta de os resolver, mas criaram-se muitos outros para somar aos que já existiam, assim tentando se punir aumentou ainda mais o abismo debaixo dos seus pés.
                *Aquela jovem rica e de muitas qualidades, viu-se presa de obsessão que lhes tirara todas as alegrias de viver, porque supunha que não valia a pena viver num lugar tão escuro e sem graça, a vida, por assim dizer, perdera o encanto, e por muitos dias pensou como tiraria a vida, até que um dia as situações se precipitaram e no auge de sua crise emotiva, resolveu dar fim aos seus dias, aqui neste plano, desconhecia existência da terapia mais fantástica do mundo que se chama amor, amor em forma de ação, que se chama caridade, isto é, muito amor aos outros, porque quem doa amor aos outros, não terá tempo de se destruir.
                * aquela outra criatura que supunha rejeitada por todos, ninguém a amava, tudo em sua vida parecia dar errado, não encontrava ninguém que a compreendesse, estava desolada e triste sempre, sempre pintando de cores escuras seus dias, e assim numa atitude de rebeldia tentando punir determinadas pessoas, de repente resolveu adotar uma atitude extrema, precipita de grande altura, mas o pior acontece, é que realmente não morre, mas continua a viver, porém com dores superlativas, por conta deste gesto insano, assim junta mais problemas aos que já existem, agora além dos problemas anteriores soma mais um a sua rebeldia às leis de Deus, que tinham o único objetivo de despertá-la para uma realidade maior e mesmo porque escolhera antes de nascer aquela prova, de repente esqueceu.
                * aquele homem reto que não suportara a ofensa moral que fora vítima, daquelas criaturas que mais amara, e tudo por elas fizera, não sabendo como perdoar, nem resolver a questão, julgando a mais infeliz da face da terra, não suportando essa dor moral, decidiu que a única maneira que encontrara para fugir a essa dor, seria morrer, porém não estava convencido, que a rigor, ninguem morre, mas muda-se de residência, simplesmente, porém levará consigo os problemas, e cometera esse equivoco terrível, porém sem condições de voltar atrás, quando percebera que realmente cometera um terrível erro de cálculo, e dias amargos e duros o aguardam.
                Todos em verdade se precipitaram diante das dificuldades do caminho, não compreendendo que o erro maior que se pode praticar no mundo é realmente o suicídio, porque é a suprema rebeldia às leis de Deus, e mesmo porque lesa o seu perispírito, ou corpo espiritual, o corpo sutil que sobrevive a morte do corpo físico, de maneira muito grave, necessitando de terapia intensiva por muito tempo, além de sofrimentos atrozes por se ver naquela difícil situação de suicida, querendo sumir do mundo, porém mais apareceram suas chagas morais. O melhor mesmo é enfrentar a vida com todos os seus problemas.
                Assim que diante de qualquer problema da vida não se precipite, mas tenha confiança que nascera diante de leis sábias e justas, e não será desertando da vida que resolverá os problemas, pense sempre que existem problemas, mas também existem soluções, basta que com paciência e discernimento busque, porque Deus que o colocou aqui sabe que pode sair e muito bem dessa situação. Não se deixe vencer pelo pessimismo, nem pela precipitação, mas lute, tenha coragem de fazer frente às dificuldades, não fuja nunca, porque cometerá o pior erro que poderia cometer em sua vida, aliás, com a agravante de uma situação extremamente penosa e mil vezes pior a que presentemente está vivendo. Com coragem e fé sempre se vence todas as dificuldades, tenha muita fé e confiança em Deus. Diga presente a vida.

Áulus/Otacir Amaral Nunes.
CampoGrande/MS

A REALIDADE DA JUSTIÇA


                Depois do horizonte haverá outro horizonte, depois daquela montanha haverá mais espaço, planícies, pântanos e mares, depois daquele abismo, haverá outros obstáculos.
                Os caminhos de Deus são insondáveis.
                De retorno à vida espiritual, após a morte no campo físico, haverá novas experiências, vencendo determinada etapa mais outra se apresentará para instigar o homem a prosseguir em sua ascensão espiritual.
                É justamente esse estímulo que se percebe através das reencarnações sucessivas, que permite haurir novas forças e resolver questões que se refere à condição moral do espírito.
                Qualquer que seja a condição dessa caminhada, rumo à perfeição, e por maiores que sejam os erros praticados sempre haverá novas oportunidades, nas quais poderão retornar para resolver os problemas que eles mesmos criaram.
                Nesse ponto se percebe que a justiça de Deus é soberana, porém que a misericórdia é muito maior, é o que se observa, com aqueles outros seus filhos, e que já caíram no erros mais diversos. Mesmo assim, podem reivindicar novas oportunidades para resolver os problemas mais graves dos seus destinos.
                Muito embora aqueles hajam cometido deslizes tenha que responder por seus desatinos, com todas as suas conseqüências. Não é menos verdade também que aqueles que tenham uma mínima parcela em seu favor, é exato também que será levado a seu crédito.
                Nessa contabilidade da vida, que se pode compreender a sabedoria do Criador.
                Ainda aqueles outros casos mais complicados saltam aos olhos do observador, onde os maiores crimes são perpetrados, ainda ali a justiça de Deus se processa num plano mais elevado. Se porventura deve haver pedra de tropeço, ai daqueles que as pedras apresentam, pois que a justiça mostrará que cada um pagará na justa medida do que houver o mal praticado.
                Nada escapa ao olhar do Senhor, cujas leis sábias e justas se encarregam de restabelecer o equilíbrio, onde o mal se fixara.
                Mas mesmo assim o mal funciona como uma experiência amarga que fará o espírito refletir melhor e coloca a liberdade de escolha em suas mãos, de fazer aquilo que queira, mas com a responsabilidade correspondente. Não ficará impune do mal que haja feito, porque as leis disso se encarregam. O mal que fizera ao próximo, como também o bem que tivera a ventura de realizar.
                Assim nesse perfeita equidade que a bondade de Deus se manifesta, dando a cada um na medida mesma de sua valia. Não pode haver dois pesos e duas medidas, porque gerariam o desequilíbrio e o caos se estabeleceria em tudo, mas mesmo nesse suposto antagonismo à bondade e à misericórdia de Deus, dando a cada um na medida mesmo do merecimento de cada um.
                Quando se interna na vida física, traz um projeto maravilhoso para escrever com suas ações. Não comporta delonga nenhuma, tudo na hora certa se dará para estabelecer a grande lei da justiça. E nesses momentos sublimes do espírito humano, quando terá a ventura suprema de sobrepor-se ao mal e vencer com muita determinação. É justo que esses espíritos abnegados e corajosos sagrem-se vencedores Nesse momento que passa adiante na senda evolutiva.
                Embora existam situações intrincadas, mas foram os mesmos protagonistas que as criaram. Não havendo nenhuma quota além do estritamente necessário ao exato cumprimento da lei, ou seja, tão somente necessária para quitar a dívida.
                Em tudo o amor terá a supremacia absoluta, pode até demorar observar os seus contornos, mas isso com certeza cedo ou tarde se dará.
                Não se pode prescindir do trabalho educativo de ninguém.
Quanto mais lute por se tornar melhor, vencendo os defeitos e exaltando as virtudes, pelo exemplo, mais compreenderá a importância de ser bom e caridoso.
                Infelizmente, poucos entenderam essas graves questões do destino.
                Onde houver esse trabalho de abnegação, aí também a bondade de Deus terá maior visibilidade.
                São Francisco surge sempre para oferecer a sua palavra amiga, “onde houver dúvida que eu leve a fé” “onde houver ódio, que eu leve o perdão”, mostrando que sempre deve haver o bem para atenuar o mal, mesmo porque existe uma lei soberana que dirigem os destinos para a felicidade. Porém ocorre que muitos não entendem as leis magnânimas do Pai que fora feita para beneficiar o homem e para despertá-lo para a sua condição de espírito imortal.
                Tudo evolui. O homem no seu lento caminhar irá somando as suas experiências, e cujos benefícios auxiliarão o seu progresso.
                É prova que detém em suas mãos imensos recursos, que nem sempre sabe utilizar para o seu bem, mas mesmo assim aquele gesto que o leva a gerar o sofrimento, serve também para chamá-lo a realidade. É um dispositivo sábio da lei.
                Assim que mesmo a dor, ou especialmente a dor, o sofrimento do espírito oferece as condições ideais para que possa aprender com esforço e perseverança, pois somente nessas chamadas enérgicas à responsabilidade é que conseguirá abrir o caminho à felicidade.

Áulus/Otacir Amaral Nunes
Campo Grande /MS

ENTREVISTAS

1- Os Suicidas

                Pergunta – Na sua vida mediúnica, Chico Xavier, conheceu amigos suicidas reencarnados?
                Resposta – Alguns. Tendo começado a tarefa mediúnica em 1927, há quase 41 anos, tive tempo suficiente para observar alguns casos e posso dizer que todos aqueles que vi reencarnados, depois do atentado contra eles mesmos, traziam consigo os sinais, os reflexos da leviandade que haviam perpetrado.
                Contudo, devemos respeitar os suicidas como criaturas extremamente sofredoras que, muitas vezes, perderam o controle das próprias emoções, raiando para o desrespeito a si próprios.
                Os resultados do suicídio acabam sempre impressos naqueles que a perpetram; desse modo, a dois companheiros que se suicidaram com bala no ouvido – e que revi, no espaço, depois de 10 anos – vi-os reencarnados na condição de crianças retardadas num estado de extrema idiotia.
                Outro companheiro que se suicidou, com o veneno, renasceu como uma criança que trazia já o câncer na garganta, tendo desencarnado pouco tempo depois.
                Os espíritos me explicaram que muitas vezes, o suicida, em se reencarnando como que destrói os tecidos do novo corpo; a desencarnação, ou a morte propriamente considerada, ocorre logo depois do nascimento ou algum tempo depois. Aí, então, o espírito estará em condições de aprender quanto vale a vida; deseja viver, mas não consegue, conseguindo, enfim, depois de grande esforço.

2- Suicídio e Sofrimento

                Pergunta – Aproveitando a oportunidade de seu profundo conhecimento da matéria. Nós perguntamos: os espíritos acham que os sofrimentos do suicidas decorrem de um castigo de Deus?
                Resposta – Não. Não decorrem de um castigo de Deus, porque Deus é a Misericórdia Infinita, a Justiça Perfeita.
Emmanuel sempre me explica e outros amigos espirituais, lecionando sobre o assunto, também explicam, que, quando atentamos contra o nosso corpo, na Terra, ferimos as estruturas do nosso corpo espiritual. Infligimos a nós mesmos essas punições.
                Se malbaratamos o crânio com um tiro, estamos destruindo determinados recursos do nosso cérebro espiritual; se nos envenenamos, perturbamos determinados centros de nossa alma; se nos projetamos de grande altura, estamos, também, perturbando os ligamentos, as estruturas, as conexões de nosso corpo espiritual e permanecemos no além com os resultado do suicídio para depois, ao reencarnarmos na Terra, trazermos as conseqüências em nosso próprio corpo.


Emmanuel
Do livro “Entrevistas” de Francisco C. Xavier

SERES INESQUECÍVEIS.

                Ninguém na Terra, superou com segurança e fé, os problemas da desvinculação dos entes queridos que nos precederam na vida maior.
                Quantos corações se debruçam no ataúde que leva a esperança da vida para o vale do grande silêncio.
                Uns seguem chorando...
                Outros continuam pelos caminhos da inconformação, lamentando a presença de Deus.
                Imagina uma mãe, beijando pela última vez o filho amado que já não sorri e nem fala... É como se lhe arrancasse o coração e o atirasse ao deserto com esperança de chuva, nos estanque das próprias lágrimas.
                No entanto, o céu cheio de sol é dia e, docemente pintado por estrelas, é noite.
                Nova alvorada nos põe em confronto com o próprio sofrimento. Novas dimensões da vida se nos modificam a própria maneira de viver, atracando em nossos corações o barco do desequilíbrio.
                Entretanto, lá na vida maior, os nossos entes queridos continuam com os mesmos vínculos no coração.
                Alguns se deixam próximos ao convívio doméstico, outros nas paredes exíguas de um túmulo, indagando por quê... Mas, recordam-nos, sequiosos de se reunirem a nós pedindo-nos a calma e a serenidade.
                Falam conosco o mesmo idioma do amor e de lamentação, quando sentem as nossas vibrações de alegria ou de desespero. Expressam a mesma linguagem, pedindo-nos fé e coragem, porque um dia, independendo de nossas vontades, estaremos todos juntos reunidos no amor sem ausência. Choram quando choramos e sorriem quando, sorrindo, lembramos-lhes as afeições queridas.
                Entretanto, se não nos for possível aceitar de momento, a desvinculação desses seres inesquecíveis, procuremos chorar as lágrimas da saudade, mas conformados pela certeza de que o amanhã será outro dia a nos indicar nova alvorada.
                Choremos com educação, moderando os caminhos dos nossos sentimentos, porquanto lá na vida maior, todos eles procuram orientar-nos para que, aceitemos com fé em Deus, toda direção na senda evolutiva a que estamos vinculados.
                Todos eles confiam em nós, pedindo pelos nossos corações e todos eles, também precisam de nosso progresso, para que, em nova alvorada, consigam caminhos que se abram para os mundos superiores.


Ezequiel
Mensagem recebida pelo médium João de Deus, Campo GrandeMS.

MEDIUNIDADE E PAZ

                Conforme previsto por Jesus num dos seus sermões, a Mediunidade eclode de forma cada vez mais intensa na vida das criaturas humanas na passagem deste para o próximo milênio. Apesar da contribuição decisiva do Espiritismo para a conceituação desta percepção, hoje, como se sabe, inerente a criatura humana, muito ainda há de ser dito para dirimir as dúvidas que envolvem os que observam ou se vêem surpreendidos com a manifestação em si mesmos da mediunidade.
                Indiscutivelmente, a experiência de Chico Xavier não pode ficar de fora de qualquer tentativa de se analisar o tema.
                Com a contribuição parcial de Carlos A Baccelli e de alguns outros companheiros, compilamos a seguir alguns ângulos da questão.
                Informação – Que é mediunismo, no significado real de sua essência?
                Chico Xavier – Mediunidade, na essência é afinidade e sintonia, estabelecendo a possibilidade do intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e de pensamento.
                Informação – Como alcançar bom aprimoramento de potencial mediúnico?
                Chico Xavier – Reflitamos no assunto do ponto de vista da mediunidade em trabalho edificante. Que se aperfeiçoe o violino, e o artista encontrará nele as mais amplas facilidades de expressão. Sem cooperador habilitado, a tarefa surge deficiente. A mediunidade, em si, depende do médium.
                Informação – Diga-nos o que deve fazer, dentro de suas capacidades, um médium, para poder ser completo e útil ao Plano Espiritual?
                Chico Xavier – Devotamento ao bem do próximo, sem a preocupação de vantagens pessoais – eis o primeiro requisito para que o medianeiro se torne sempre mais útil ao Plano Espiritual. Em seguida, quanto mais o médium se aprimore, através do estudo e do dever nobremente cumprido, mais valiosa se torna a execução de tarefas com os Instrutores da Vida Maior.
                Informação – Que é que pode ser mais prejudicial a um médium?
                Chico Xavier – O egoísmo que se fantasia de vaidade e orgulho, quando o medianeiro procura irrefletidamente antepor-se aos Mentores Espirituais que se valem dele. Ou o mesmo egoísmo, quando se veste de ociosidade ou de escrúpulo negativo, para fugir à prestação de serviço ao próximo.

                Informação - Qual a razão de algumas pessoas possuírem dons mediúnicos na Terra, desde o berço, e outras, após muito trabalho, é que conseguem conquistar alguns desses valores?
                Chico Xavier - Quando se trate de mediunidade em ação na cultura ou no progresso espiritual, a bagagem de recursos do medianeiro emerge das suas próprias aquisições de espírito, efetuadas em existências pretéritas, outorgando-lhe a possibilidade de colaborar com mais eficiência ao lado de quantos pugnam, no Além, pelo aperfeiçoamento e a felicidade da comunidade humana.
                Informação – Como podemos entender o chamado “planejamento espiritual?”.
                Chico Xavier – Mentalizemos o planejamento que antecede a formação de um núcleo populacional ou de uma família na Terra, com os recursos possíveis de previsão e teremos exatamente a idéia do que seja o “planejamento espiritual” para qualquer organização que proceda do Plano Espiritual para o Mundo Físico.
                Informação – Como encarar as diversas demonstrações mediúnicas existentes e praticadas fora da Doutrina Espírita?
                Chico Xavier – Os fenômenos medianímicos existiram em todos os tempos. E, em todos os distritos da atividade humana, continuam a existir. A Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo, esclarecendo mediunidade e médiuns para que as ocorrências mediúnicas edifiquem elevação e proveito em auxílio da Humanidade.
                Informação – Os “anjos de guarda”, que são?
                Chico Xavier – Os bons espíritos, benevolentes e sábios, mormente aqueles que se nos fazem familiares, se erigem, no Mais Além, à condição de mensageiros de apoio ou guardiães abnegados daqueles companheiros que ainda se vinculam a vida física.
                Informação – Quais são os principais sintomas, tantos físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que se diagnostique mediunidade acentuada?
                Chico Xavier – Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.
                Informação – Existe relação entre música e cor? Como médium artista (no caso, pianista) pode atingir a capacidade para saber o nome da música e do compositor que enviou uma determinada melodia ou canção?
                Chico Xavier – Partindo-se do princípio que tanto o som quanto a luz emitem ondas, umas mecânicas e outras eletromagnéticas, existe aí uma relação. A música emite sons harmônicos, segundo uma equação Matemática quanto à freqüência e comprimento, podendo proporcionar ao ouvinte uma sensação de calma ou de excitação. As cores, da mesma forma, podem ser calmantes como o azul e excitantes como o vermelho. Por estas características, ambas são utilizadas em tratamento de saúde. O trabalho mediúnico em geral, para que seja efetivo, necessita que os médiuns participantes tenham pleno conhecimento do fenômeno. Esse conhecimento só pode ser alcançado com estudo e a prática mediúnica; a partir daí, o médium tem condições de mediar as comunicações de forma plena.

FONTE-Correio Didier maio/junho/2001
Baccelli, Carlos A: “Chico Xavier, Mediunidade E Paz”. Xavier, F. C. e Emmanuel “Plantão De Respostas”.

DEPOIS DA SEPARAÇÃO
Queridos pais:

                Trazendo-lhes meu coração, como acontece em todos os dias, estou aqui reafirmando nossas preces habituais a Jesus.
                Se é possível misturar felicidade com saudade, sinto-me infinitamente feliz.
                Nosso amor venceu a morte.
                Nossa fé venceu a dor.
                Em verdade, qual acontece ao Papai, tenho lágrimas nos olhos, contudo lágrimas de alegria porque nos reencontramos no mundo vasto.
                A bênção Divina marcou as nossas esperanças e chegamos a essa bendita integração espiritual em que nos continuamos uns nos outros.
                Pouco a pouco, recupero as recordações de tudo que a vida relegou para trás.
                Nossos laços carinhosos de hoje são flores de abençoada luz que se farão frutos de progresso na Espiritualidade, em futuro próximo; mas, lá no fundo da linha vertical do destino por onde nos elevamos em busca de Deus, jazem as raízes do pretérito ditando as razões da nossa luta de agora.
                Não existe problema sem o começo necessário; não existe sofrimento cujas causas não se entrelacem a distância.
                Respeitemos a provação que nos separou e louvemo-la pelo tesouro de claridades sublimes que nos trouxe.
                Não fosse a noite e jamais saberíamos identificar a glória do dia.
                A morte pode ser a morte para muitos; mas para nós foi ressurreição numa era nova. Delas extraímos a riqueza de uma vida superior que naturalmente nos guia os impulsos de conhecimento ao encontro da Humanidade Maior.
                Graças a Deus tenho aprendido algo.
                A criança que conheceram sente-se, hoje, companheiro e amigo, devedor insolúvel nas estradas eternas.
                A bondade do Senhor, com o carinho que recebo de ambos, operou em mim o milagre de uma compreensão mais enobrecida.
                Somos associados de muitas empresas, batalhadores de muitos combates, irmãos de ideal e de alegria, de aflição e de luta em muitas jornadas na Terra...
                Quisera que as energias condensadas da carne, por instantes, fugissem à lei que as governa, a fim de revelar-lhes, assim como na luz de um relâmpago, os quadros imensos da retaguarda...
                Entretanto, as circunstâncias são a vontade justa do Senhor e devemos respeitá-las.
                Por muito se demorem na carne, separa-nos tão somente um breve hoje.
                Das sombras que abraçam o pó do mundo, emergimos cantando a felicidade de nossa inalterável comunhão. Até lá, porém, é imprescindível trabalhemos.
                Nossos dias de angústia e de perplexidade passaram, como passaram as primeiras horas de ansiedade em que as nossas notícias mútuas eram como que o único alimento capaz de saciar-nos a alma atormentada...
                Agora, temos um campo enorme à frente do coração. Campo de serviço que em suas mínimas particularidades nos requisita à plantação de novos destinos. Começa na família e espraia-se, infinito, no território das vidas diferentes que se ligam às nossas por misteriosos elos do espírito.
                Não se sintam sozinhos, não sofram, não lastimem... Estamos juntos hoje quanto ontem, à procura de nossas sublimes realizações.
                Compreendo as dificuldades que ainda interferem com os nossos desejos. Entretanto, rogo-lhes coragem.
                Doando nossas disponibilidades espirituais, ao tempo, através de nossa aplicação incessante com o bem, do tempo recebemos a quitação de nossos débitos, porque a Divina Providência nos entrega, por intermédio dele, os trabalhos que precisamos efetuar, a benefício de nossa própria felicidade.
                A bondade do Senhor, com o carinho que recebo de ambos, operou em mim o milagre de uma compreensão mais enobrecida.
                Somos associados de muitas empresas, batalhadores de muitos combates, irmãos de ideal e de alegria, de aflição e de luta em muitas jornadas na Terra...
                Quisera que as energias condensadas da carne, por instantes, fugissem à lei que as governa, a fim de revelar-lhes, assim como na luz de um relâmpago, os quadros imensos da retaguarda...
                Entretanto, as circunstâncias são a vontade justa do Senhor e devemos respeitá-las.
                Por muito se demorem na carne, separa-nos tão somente um breve hoje.
                Das sombras que abraçam o pó do mundo, emergimos cantando a felicidade de nossa inalterável comunhão. Até lá, porém, é imprescindível trabalhemos.
                Nossos dias de angústia e de perplexidade passaram, como passaram as primeiras horas de ansiedade em que as nossas notícias mútuas eram como que o único alimento capaz de saciar-nos a alma atormentada...
                Agora, temos um campo enorme à frente do coração. Campo de serviço que em suas mínimas particularidades nos requisita à plantação de novos destinos. Começa na família e espraia-se, infinito, no território das vidas diferentes que se ligam às nossas por misteriosos elos do espírito.
                Não se sintam sozinhos, não sofram, não lastimem... Estamos juntos hoje quanto ontem, à procura de nossas sublimes realizações.
                Compreendo as dificuldades que ainda interferem com os nossos desejos. Entretanto, rogo-lhes coragem.
                Doando nossas disponibilidades espirituais, ao tempo, através de nossa aplicação incessante com o bem, do tempo recebemos a quitação de nossos débitos, porque a Divina Providência nos entrega, por intermédio dele, os trabalhos que precisamos efetuar, a benefício de nossa própria felicidade Confiemos no Cristo para que o Cristo confie em nós.
                O sonho de solidariedade humana que nos vibra no peito não é uma luz que esteja nascendo, de improviso, no vaso de nossos sentimentos. Vem de longe, de muito longe... E, tão grande é a importância de que se reveste, que a dor veio ao nosso encontro, despertando-nos para a divina edificação.
                Saciedade no mundo é prejuízo de nossa alma.
                É por isso que Jesus preferiu o madeiro do sacrifício, com a incompreensão dos homens e com a sede de amor.                 Rejubilemo-nos no calvário de nossa paixão por maiores luzes. A subida é áspera para quem deseja o ar puro dos cimos.
                Continuemos caminhando sob a inspiração de nosso Divino Mestre. É tudo o que poderemos fazer de melhor. De nós mesmos, atentos à insegurança de nossas aquisições, nosso passo seria vacilante entre a luz e a sombra, entre o bem e o mal... Com Cristo, porém, cessam as dúvidas. O sacrifício de nossos desejos aos desígnios do Céu é a chave de nossa felicidade real.
                Mamãe, à vovó envio o meu pensamento muito carinhoso, com lembranças a todos de casa.
                Envolvendo-os assim, em meu coração e em meu carinho, beija-lhes as mãos entrelaçadas com as minhas, o filho saudoso e reconhecido que, em cada dia, lhes segue afetuosamente os passos.

Carlos Augusto
Do livro "Relicário de Luz" de Francisco C. Xavier.
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DOIS LADRÕES.

                O fato aconteceu em Pedro Leopoldo. Chico costumava acompanhar até às pensões ou hotéis as visitas que viçavam no Centro até o término das reuniões, que se dava por volta da duas horas da manhã. Certo dia, já por de volta, foi abordado por dois desconhecidos, que ele sabia não serem da cidade, e um deles foi logo dizendo:
                - Passe para cá todo o dinheiro que tiver em seu bolso.
                Chico remexeu seus bolsos e, só encontrando cinco cruzeiros.
                - Olha, eu só tenho cinco cruzeiros, mas, por favor, não me façam mal. Tenho minhas crianças para cuidar.
                Um dos assaltantes, que parecia ter alguma bondade nos olhos perguntou:
                - Você é casado?
                - Não, respondeu o Chico.
                - Então, que história é essa de crianças?
                - São as crianças que eu cuido, umas são parentes, outras necessitadas, mas olho-as todas.
                Nisso o outro assaltante intervém, dizendo:
                - Não falei que não valia a pena assalta-lo? Veja as roupas remendadas. O sapato, então, parece uma boca aberta de um jacaré. Vamos embora que esse aí está pior que nós.
                O outro assaltante então perguntou:
                - Você ainda tem aqueles duzentos cruzeiros com você?
                - Você não vai fazer o que eu estou pensando, vai?
                - Vamos, passe o dinheiro depressa.
                De posse do dinheiro, entregou-o ao Chico e disse:
                - Tome, compre leite para as suas crianças. E, chamando o outro ladrão, foram embora.
                Chico, aliviado, escorou-se num poste e disse:
                - Muito obrigado, irmãos. Que Jesus os abençoe e acompanhe.
                O ladrão que lhe havia dado o dinheiro lhe respondeu:
                - Você acha que Jesus vai nos abençoar e acompanhar? Nós somos ladrões.
                - Como não, meu irmão? Disse-lhe o Chico. Ele escolheu dois para sair da Terra com ele.

Mensagem do livro: “Kardec Prossegue”, de Adelino da Silveira –Ed.CEU

 

FUGA À LUTA

                Na seqüência de artigos a respeito do suicídio, J.D. Innocencio dá destaque neste a constituição ternária dos chamados vivos: espírito, perispírito e corpo físico, procurando lembrar que, se é possível destruir a carne, o mesmo não acontece com os outros dois elementos, e mais, que os “motivos” do suicídio, em lugar de desaparecerem ou diminuírem, aumentam de forma impressionante, prolongando-se o ato derradeiro de modo a parecer não ter fim.
                Exaltamos, ainda, nesse artigo, a prece como sendo o único lenitivo para os suicidas e exortamos as pessoas de boa vontade à prática dessa forma de caridade que nem todos compreendem.
                Outro fato que, se fosse de conhecimento generalizado, evitaria suicídios, é o que focalizamos hoje: como se dá a desencarnação do Espírito ou a sua separação do corpo físico.
                Desencarnar normalmente não é mero acidente, nem tampouco rompimento brusco dos laços fluídicos, nem liberdade repentina do Espírito.
                Existem entidades que se dedicam ao mister de desatar os laços fluídicos que ligam o Espírito ao corpo carnal, de forma a evitar sofrimentos maiores, provocando, até mesmo, certa perturbação, o que impede que o Espírito assista aos últimos momentos de seu corpo.
                A prova de que a desencarnação não é mero acidente e de que existem entidades bondosas encarregadas de desatar os laços perispirituais está na experiência diária.. Quem já não viu ou pelo menos já não escutou contar que determinada pessoa estava passando muito mal de saúde, com a família e amigos reunidos, vibrando em seu favor, e que, inesperadamente, contrariando a opinião do médico, melhora sensivelmente, como se fosse recuperar a saúde, e, a seguir, afastados os parentes e amigos, falece repentinamente? Diante do número imenso de casos, alguém ainda poderá aceitar o acaso? Chegado o momento próprio, as entidades encarregadas desse mister, através de passes magnéticos, dão ao moribundo extraordinária melhora aparente, o que leva aos circunstantes alívio e alegria, propiciando, assim, facilidades para o desenlace (tendo em vista o afastamento da perturbação que os familiares do doente, por ignorância, proporcionavam).
                Esses laços, como explica Martins Peralva, na obra “Estudando a Mediunidade”, são desatados numa seqüência lógica: 1.º - O centro vegetativo (ligado ao ventre, sede das manifestações fisiológicas), provocando o estiramento dos membros inferiores e o esfriamento do corpo; 2.º - O centro emocional (situado no tórax, zona dos sentimentos e desejos), causando a desregularidade do coração, a aflição, a angústia, pulso fraco); e 3.º - O centro mental (situado no cérebro, o mais importante), agindo sobre a fossa romboidal; vem a coma e, a seguir, o desatamento do último laço.
                Ora, se tantos cuidados são necessários nas desencarnações normais e, se o suicida, por iniciativa própria, antecipa a data da morte do seu corpo físico, é claro, é lógico, que não terá assistência e que, portanto, o simples ato de desencarnar torna-se, para ele, uma tragédia dantesca.
                Os suicidas são os clandestinos do extrafísico!
                Oremos por eles.
                Após o período correspondente ao tempo de vida negado ao corpo, em região condizente com o estado de cada um, ou em uma reencarnação dolorosa, é o Espírito abrigado em colônias socorristas, onde recebe tratamento a fim de refazer seu corpo espirítico e receber instrução a respeito da verdadeira vida.
                Na existência seguinte enfrentará o ex-suicida a mesma situação que o levou a abreviar a vida, acrescida de dificuldades conseqüentes da dilaceração do corpo na encarnação anterior. Exemplificando: o homem saudável que, por ter ficando repentinamente pobre e que em lugar de se lançar ao trabalho honrado se suicidou, passará na existência seguinte – quando não terá um corpo normal para o ganha-pão diário – por queda material que irá até à penúria, sendo tentado a repetir o auto-extermínio. E ai dele se não tiver amealhado recursos morais, principalmente durante a infância e a juventude!                 Praticará o suicídio novamente. Mas, quem assim o expõe ao perigo não é Deus e sim a sua própria consciência.
                Entre o ato da morte do corpo físico e o despertar do Espírito no extrafísico decorre um período de sofrimentos quase inenarráveis, variável quando à duração e a intensidade.

J.D. Innocencio
Da revista “Reformador” do mês de janeiro/1995.

 

AMIGOS

                De quando a quando, aqui e além, por vezes, aparece determinado obreiro do bem que se acredita capaz de agir sozinho, no entanto, a breve tempo, reconhece a própria ilusão.
                O Criador articulou a vida de tal modo, que ninguém algo constrói sem a cooperação de alguém.
                Na Terra, há quem diga que amigo é alguém que nos procura unicamente nas horas de alegria e prosperidade, de vez que comumente se afasta quando o frio da adversidade aparece.
                Temos nisso, porém, outra inverdade, porquanto o amigo, ainda mesmo cercado de obstáculos, compreende os companheiros que se distanciam dele, transitoriamente, entendendo que circunstâncias imperiosas os compelem a isso.
                Na condição de espíritos ainda imperfeitos, é certo que, em muitas ocasiões, não nos achamos afinados uns com os outros, especialmente, no Plano Físico, nos momentos em que as nossas queixas recíprocas revelam-se os pontos deficientes.
                E se soubermos reconhecer que todos temos provas a superar e imperfeições a extinguir, não experimentaremos dificuldades maiores para exercer a solidariedade e praticar a tolerância, melhorando o nosso padrão de serviço e comportamento.
                Se instalados na compreensão mais ampla, observamos que a amizade apenas sobrevive no clima da caridade que se define por prática do amor, de uns para com os outros.
                Na posição de amigos, entendemos espontaneamente os nossos companheiros, oferecendo-lhes o apoio fraterno que se nos faça possível, surgirá o dia em que necessitaremos que eles nos amparem com o mesmo auxílio.
                Aprendamos a valorizar os nossos colaboradores para que não nos falte o concurso deles no momento certo.
                Amigos são alavancas de sustentação.
                Saibamos adquirir cooperadores e conservá-los, lembrando-nos de que o próprio Jesus escolheu doze irmãos de ideal para basear a campanha do Cristianismo no mundo.
                Foi Ele mesmo, o Mestre e Senhor, que, certa feita, lhes falou de modo convincente: - “Em verdade, não sois meus servos, porque vos tenho a todos por amigos do coração.

Mensagem do livro “Convivência” de Emmanuel - Francisco C. Xavier - Ideal

 

CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA – CONTINUAÇÃO...

                16. – O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só: são precisas a expiação e a reparação.
                Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho de reabilitação; só a reparação contudo pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.
                17. – O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde porém, o culpado sofre por mais tempo.
                Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste no sofrimento físico e moral que lhe são conseqüentes, ou seja na vida atual, ou seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.
                A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiveram queixas e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes havia feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízos direito e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se tem sido orgulhoso, amável se foi rude, caridoso se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil se foi inútil, frugal se intemperante, exemplar se não o foi. Assim progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado.
                18.- Os espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam. Ficam nos mundos inferiores a expiarem as suas faltas pelas tribulações da vida e purificando-se das imperfeições até que mereçam a encarnação em mundos mais elevados, mais adiantados moral e fisicamente. Se não pode conceber um lugar circunscrito de castigo, é sem dúvida nesses mundos de expiação, em torno dos quais pululam espíritos imperfeitos, desencarnados à espera de novas existências que lhes permitem reparar o mal, auxiliando-os no progresso.
                19. – Tendo o Espírito sempre o livre arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e muito tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado por persistir anos e séculos, vindo por fim um momento em que a sua contumácia se modifica pelo sofrimento, e, a despeito da sua jactância, reconhece o poder superior que o domina.
                Então, desde que se manifestam os primeiros vislumbres de arrependimento, Deus lhe faz prevalecer a esperança. Nem há Espírito, incapaz de nunca progredir, votando fatalmente a eternidade inferior, o que seria a negação da lei do progresso, que providencialmente rege as criaturas.
                20.- Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus nunca os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (guia) que por eles vela, na persuasão de suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e, bem assim, de espreitar-lhes os movimentos da alma, com o que se esforçam por reparar em uma nova existência o mal que praticaram. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre ocultamente e de modo que não haja pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição.
                O bem e o mal são praticados em função do livre arbítrio e conseguintemente sem que o Espírito seja fatalmente impelido para um ou outro.
                Persistindo no mal, sofrerá as conseqüências por tanto tempo quanto durar a persistência, do mesmo modo que, dando um passo para o bem, sente-lhe imediatamente o efeito.
                Observação – Seria erro supor que em virtude das leis de progresso, a certeza de atingir cedo ou tarde a perfeição e a felicidade pode estimular a perseverança do mal sob a condição do ulterior arrependimento: primeiro porque o Espírito inferior não se apercebe do termo da sua situação; e segundo porque, sendo ele o autor da própria infelicidade, acaba por compreender que de si depende o fazê-la cessar; que por tanto tempo quanto perseverar no mal será infeliz; finalmente que o sofrimento será intérmino se ele próprio não lhe der fim. Seria o primeiro a reconhecer. Se, pelo contrário, de conformidade com o dogma das penas irremissíveis, lhe fosse interditada qualquer esperança, ele não teria nenhum interesse na prática do bem, uma vez que ela lhe não proporcionaria proveito.
                Diante dessa lei cai por terra a objeção acerca da presciência divina, pois Deus criando uma alma sabe, com efeito, se ela, em virtude do seu livre arbítrio, fará dele bom ou mau uso, como sabe que será punido pelo mal que praticar, mas sabe também que esse castigo temporário é o meio de fazê-la compreender o erro, entrando no bom caminho, cedo ou tarde. Pela doutrina das penas eternas se conclui que Deus sabe que essa alma pecará e, portanto, está previamente condenada a torturas infinitas.
                21. – A responsabilidade das faltas é inteiramente pessoal, ninguém sofre por alheios erros, salvo se a eles deu origem, quer provocando-o pelo exemplo, quer não os impedindo quanto poderia fazê-lo.
Assim o suicida é sempre punido: mas aquele que por maldade leva um individuo ao desespero e daí ao suicídio, sofrerá pena maior ainda.
                22. – Conquanto infinita a diversidade de punições, algumas há inerentes à inferioridade dos Espíritos, e cujas conseqüências, salvo pormenores, são pouco mais ou menos idênticas.
                A punição mais imediata, sobretudo, entre os que se acham ligados à vida material, em detrimento do progresso espiritual, consiste na lentidão do desprendimento da alma, nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na conseqüente perturbação que pode prolongar-se por meses e anos.
                Naqueles que ao contrário têm pura a consciência e na vida material já se acham identificados com a vida espiritual, desprendidos das coisas materiais, o trespasse é rápido, sem abalos, quase nula a turbação e o despertar tranqüilo.
                23.- Um fenômeno muito freqüente entre os Espíritos de certa inferioridade moral é o acreditarem-se ainda vivos, podendo a ilusão prolongar-se por muitos anos, durante os quais eles experimentarão as necessidades, os tormentos e a perplexidades diante da vida.
                24.- Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das circunstâncias o crime é um suplício cruel.

Extraído do Livro “O Céu e o Inferno” – Allan Kardec)
Continua no próximo número.

 

Responda as questões propostas no texto Código Penal da Vida Futura.

01- Qual o primeiro passo para a regeneração? .............................................................................................................
02- Mas para completar a regeneração quais os considerandos são essenciais?...............................................................
03- Quais as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências? .......................................
................................................, ...................................., ............................................................................................
04- A expiação consiste.................................................................................................................................................
....................................................................................................................................................................................
05- E a reparação..........................................................................................................................................................
06- Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo
se o que deveria fazer se foi descurado; praticando o bem em compensação ao ............................... isto é, tornando-se humilde se ................................................; amável se .........................................; caridoso.....................................; benigno se .....................................................; laborioso se.....................; útil se ........................................; frugal se............................................. assim progride o espírito aproveitando-se do seu próprio passado........................................................................................................................................................
07- Por que os espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes?..................................................Onde esses espíritos ficarão segregados?.........................................................................................................................................
08- Com que finalidade? .................................................................................Eles terão acesso a esses mundos algum dia?..............Quando?..................................................................................................
09- O progresso do espírito é muito demorado? .....................................................Do que depende essa
demora.?.............................. O que o leva a mudar de atitude?.......................................................................................
10- Quando se manifestam os primeiros vislumbres de arrependimento, Deus lhe faz........................................................
11- Há espírito eternamente votado ao mal?.........Por que?.............................................................................................
12- .Deus abandona os espíritos inferiores e perversos a própria sorte?...........................................................................
Por que?........................................................................................................................................................................
13- Qual a função do anjo de guarda?.............................................................................................................................
De que maneira essa interferência se dará?......................................................................................., Como se manifesta?.............................................................Por que?..............................................................................................
14- O bem e o mal são praticados em função ...................................................................................................................
15- Um espírito pode sofrer pelos erros alheios?..........................................por que? .......................................................
16 -Mas quando indiretamente dera motivo para que outro agisse no mal?........................................................................
17--Qual a corrigenda (punição) mais imediata? ..............................................................................................................
E em que consiste?...............................................................................,..........................................................................
.............................................................................,..........................................................................................................
18- Naqueles que têm pura a consciência e na vida material se acham identificados com a vida espiritual
............................................................................O que de positivo se observa quando da transferência a outra margem da vida?..............................................................................................................................................................................
......................................................................................................................................................................................
19- O que ocorre com grande freqüência aos espíritos de certa inferioridade moral?.........................................................
................................................................................Essa ilusão dura muito tempo?..........................................................
20- O que constitui o maior suplício ao criminoso quando desencarna também?.................................................................
.......................................................................................................................................................................................

 

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ANO I - Nº 08– Campo Grande – MS – Setembro de 2006
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