"Luzes do Amanhecer"

Fundado em 16/07/1996 publicado 02/02/2006
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA - ANO XX - N. 228 * Campo Grande/MS * Janeiro de 2025.
EDIÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA “VALE DA ESPERANÇA”
Rua Colorado n o 488, Bairro Jardim Canadá, CEP 79112-480, Campo Grande-MS.

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            Tudo é possível àquele que ama, porque ele se reveste de tal grandeza que os obstáculos fogem debaixo dos seus pés, assim que os apóstolos de Jesus de simples pescadores transformaram-se em gigantes na vivência cristã.

 

 

TEORIA DA BELEZA

 

            A humanidade sempre procurou e valorizou a beleza, mas ainda não encontrou a beleza universal, a beleza absoluta, aquela em que todos a consideram realmente bela. Cada povo, cada etnia, tem seu padrão de beleza e o que é belo em uns, é horripilante em outros.
            Carlos Richard em seu livro As Revoluções Inevitáveis no Globo e na Humanidade mostra a evolução da beleza humana no que toca à graça da fisionomia, à beleza do rosto e ao conjunto da estética do corpo. É só olharmos as estátuas bem antigas e as medalhas que ficaram intactas ao correr do tempo.
            Verifica-se a rudeza dos traços, a crueza do olhar e a animalidade da expressão. Até mesmo Cícero o grande orador romano, e que marcou época a sua passagem, tinha um rosto acachapado e vulgar, sendo muito melhor ouvi-lo que o ver. “Galba, Vespasiano, Nerva, Caracala, Alexandre Severo, Balbino, não eram apenas feios, mas horrendos.
            Diz ainda que passados dois mil anos a fisionomia da espécie melhorou muito. Quanto mais os instintos se aproximam da animalidade, a sua forma também se aproxima dela. A perfeição da forma é assim consequência da evolução do Espírito, donde se conclui que a forma ideal será a do Espírito puro como sonham os poetas e verdadeiros artistas nos mundos mais elevados, superiores.
            E por falar em poetas, lembremos o grande Vinicios de Moraes: as feias que nos desculpem, mas beleza é fundamental.

            Referência bibliográfica: Obras Póstumas. Allan Kardec.

 

Crispim
2024

 

 

            FRENTE A REALIDADE

 

            Por certo  tudo na vida obedece à lei do trabalho, porque sem trabalho o corpo se enfraquece, assim como a máquina que não funciona,  enferruja, por isso põem em movimento as forças que retém em potencial dentro de si, fazendo-a produzir em favor do próximo. Pode até alguém dizer que não tem recursos, mas na realidade, a maioria das vezes são desculpas, porém esses mesmos que hoje recusam o amparo, talvez necessitem um dia o auxilio alheio.
            Qual será a sua reação diante da dor que bate a sua porta e estando sem recursos e só, certamente que necessitará do auxilio de alguém para dar-lhe amparo naquele momento difícil de sua caminhada, talvez nesses momentos de angústias e abandono pense, mas a quem poderia me socorrer?
            Talvez até se lembre que quando encontrou os companheiros de jornada em idênticas condições, deles não se compadeceu, mas, agora será que poderá até sentir-se no direito de pedir o auxilio dos outros? Noutra quadra melhor da existência não tinha o menor respeito por ninguém, porém agora como se permitir ser ajudado?
            Nesse momento pensará que poderia ter feito tanta coisa, mas não fez, porém reconhece a dor do próximo, mas ainda há muito orgulho que vive no seu peito. Às vezes sente-se até no direito de exigir que alguém o socorra, pois que diante da benção da dor, essa companheira assídua, está ensinando as lições que por bem não quis aprender.
            É verdade que necessita aprender a regra simples de amor e caridade para assumir a postura daquele homem de boa vontade.
             Talvez vença o problema que o aflige e volte a sua antiga condição, e atribua o mérito a si mesmo, porque foi mais inteligente. Porém não tardará que ao aluno rebelde uma nova lição seja ministrada, a fim de que retire a couraça do seu coração e sinta compaixão dos outros, porque a compaixão é a ante-sala da caridade.
            Afirma a Doutrina Libertadora que “sem a caridade não há salvação”, por isso que o trabalho é de suma importância, aliás, é à base da felicidade futura, porque esse mundo melhor sonhado por todos passam inevitavelmente pela mão do próximo, representado por aquele que tem a possibilidade de auxiliar.
            Por isso preste muita atenção de como age diante do necessitado, para que avalie como anda a sua orientação cristã. Toda boa orientação passa pelo próximo e por ser ele o benfeitor em potencial, pois que o auxiliando, Deus vendo o seu gesto enobrecido dar-lhe-á a bênção da coragem para seguir em frente. Amor e caridade sempre hão de ser o lema a adotar em qualquer departamento da experiência humana.

 

Não Espere Demais
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes

 

 

AS COISAS PEQUENINAS

 

            Talvez já não lembre mais aquele gesto pequenino quando socorreu aquele companheiro de jornada que  estava passando por provações, num dos seus momentos de grandes dificuldades.       
            É verdade que não se lembra mais, mas aquele alguém não se esqueceu. E hoje quando as dificuldades batem a sua porta, alguém o atenderá de maneira amistosa, tem a impressão que o conhece e para não ser indelicado procura nas telas da memória, mas não consegue lembrar-se dele, mas é certo que ele o trata com familiaridade.      
            -Até que em dado momento pergunta lhe: trata-me como já me conhecesse de algum lugar e por mais que tente lembrar-me, mas a sua fisionomia não me é estranha, mas não consigo lembrar-se de onde.
            - É faz muito tempo quando estava num momento de  provações  com a minha família quando cheguei a esta cidade.             O senhor me ajudou naqueles momentos mais difíceis, quando estava ainda procurando um meio de viver nesta cidade. E meu filho ficou gravemente enfermo. Por esses fatos do destino encontrei o senhor talvez para me ajudar.
Lembro-me como se fosse hoje: sem dinheiro e sem saber o que fazer, logo que o senhor viu meu filho enfermo, perguntou qual era o nome dele. Respondi simplesmente. Pedro.  Até o senhor disse: seu filho tem nome de um imperador e de um grande apóstolo.
            Porém naquele momento estava muito doente e noite chuvosa e fria levou-me até a casa de saúde para tratá-lo, mas antes de sair ainda me deu dinheiro para condução e para muitas outras coisas. Depois de muitos dias ele conseguiu se recuperar, agora está moço, mas não minha casa ninguém o esqueceu um dia sequer.
Em nossas orações sempre nos lembramos do senhor, com grande gratidão, rogando que ele o socorra também em seus momentos de aflições e sempre encontre uma mão amiga para dar-lhe apoio para que caminhe com segurança.
            Ao sair perguntou: Mas onde está o imperador, está muito bem e se transformou num moço forte e alegre e parece que vive numa permanente alegria.      
            O protegido de ontem é o benfeitor de hoje e logo chegou à esposa e o filho, a esposa lembrou-se dele até com detalhes, como iria esquecer que nos socorreu naquele dia mais difícil que parece que íamos perder o nosso filho. Nunca se esquecemos do senhor. A esposa repetiu a história que nunca fora esquecido naquele lar.
            Considerando esse episodio do quotidiano e deve ser uma historia comum de tantos, porém o bem que se faz e o patrimônio mais precioso que pode ser utilizados naqueles momentos em que tudo nos falte. Porque é certo que o bem que se faz, é a única âncora em que se pode firmar diante das tempestades da vida.       
            Assim que construa também esse mundo de felicidade amando o próximo como a si mesmo, não o despreze por motivo algum. Ele é o grande benfeitor em potencial de nossa vida, aliás, somente falará por nós quando tudo faltar. Será o amigo mais fiel e verdadeiro, porque o bem que se faz de maneira desinteressada de recompensa será à  base do enriquecimento espiritual, tesouro esse que ninguém pode nos tirar.
            Lembre-se das pequenas coisas, dos pequenos gestos pode faz uma enorme diferença em nossas vidas. Aquele gesto simples de consideração e respeito ao próximo em seus momentos de dificuldades, pode até haver se esquecido.
            Todavia por certo  ficará anotado na contabilidade divina, embora continue no seu mundo obscuro, mas sempre praticando o bem sem ostentação e  esse bem que pratica em segredo e Deus vendo os seus esforços o abençoará ainda mais. Áulus.

 

Luzes da Ribalta
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes

 

 

CLASSIFICAÇÃO DA MEDIUNIDADE:
EFEITOS INTELIGENTES

 

            A mediunidade de efeitos inteligentes ou intelectuais exige maior elaboração mental por parte do médium que age como um intérprete das ideias transmitidas pelos Espíritos, como consta em O livro dos médiuns:
            “O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para transmitir uma notícia a grande distância, desde que haja, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente que a receba e transmita”124 (aspas no original).
            Caso o médium não possua boas condições morais nem bom preparo doutrinário espírita poderá interferir na mensagem, invalidando-a: “[...] se não houver afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas e assimilá-las às suas próprias ideias e inclinações. Porém, não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes, autores das respostas. É apenas um mau intérprete”125 (grifo no original).
            É óbvio que a interpretação do pensamento dos Espíritos, como qualquer outra habilidade humana, desenvolve-se com o tempo, mas está diretamente relacionada ao empenho do médium em querer ampliar o seu conhecimento e de transformar-se em pessoa melhor. Os Espíritos sérios procuram, então, os médiuns mais confiáveis, os que lhes oferecem as condições encontradas no bom intérprete. Esclarecem os orientadores espirituais:
            “Procuram o intérprete que mais simpatize com eles e que exprima com mais exatidão os seus pensamentos. Não havendo simpatia entre eles, o Espírito do médium é um antagonista que oferece certa resistência, tornando-se um intérprete de má qualidade e muitas vezes infiel. É o que acontece entre vós, quando a opinião de um sábio é transmitida por um homem estouvado ou alguém de má-fé”126 (aspas no original).
            Mediunidade de efeitos intelectuais/inteligentes Faz parte dessa categoria uma variedade de médiuns, mas no âmbito deste Roteiro, serão destacados apenas os tipos que predominam nas reuniões mediúnicas usuais da casa espírita, quais sejam: médiuns de intuição e inspiração; de psicofonia, psicografia, audiência e vidência. O aprofundamento do assunto ocorrerá no Programa II do Curso.
            • Médiuns intuitivos: trata-se de uma faculdade comum a todos os seres humanos, que neles se revela mais ou menos desenvolvida conforme as experiências passadas e atuais do Espírito. Pode ser definida como uma percepção fora dos sentidos corporais, ou seja, de natureza extrassensorial, manifestada na forma de uma ideia ou imagem que cruza o cérebro. Em geral, a percepção é muito sutil, de forma que na maioria das vezes não é valorizada pela própria pessoa. Sendo, contudo, amplamente desenvolvida pelo exercício, a intuição é uma ferramenta inestimável do processo evolutivo do indivíduo, assim como na prática mediúnica.
            A propósito, o Espírito André Luiz assinala que a intuição é a mediunidade inicial da espécie humana, surgida nos primórdios da evolução humana.
            Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente, porque, pela natural apresentação da própria aura, os homens melhores atraíram para si os Espíritos humanos melhorados, [...] e os homens rebeldes à Lei divina aliciaram a companhia de entidades da mesma classe [...].
            Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras, segundo a combinação de frequência e trajeto, natureza e objetivo, encontraram-se mentes semelhantes entre si, formando núcleos de progresso em que homens nobres assimilaram as correntes mentais dos Espíritos Superiores para gerar trabalho edificante e educativo, ou originando processos vários de simbiose em que almas estacionárias se enquistaram mutuamente, desafiando debalde os imperativos da evolução [...].127
            Em termos práticos, sabe-se que os bons dialogadores (doutrinadores ou esclarecedores), os que na reunião mediúnica conversam com os Espíritos comunicantes, possuem a mediunidade intuitiva bem desenvolvida. Mas como a intuição é a faculdade básica e primordial, ela sempre estará presente nas demais mediunidades de efeitos inteligentes (psicofonia, psicografia, vidência, etc.).

            Referência:
            124 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XIX, it. 223, subit. 6, p. 226 e 227, 2013.
            125 Id. Ibid. It. 223-7 p. 7, p. 227.
            126 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XIX, it. 223, p. 8, p. 227, 2013.
            127 XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. Primeira parte, cap. 17, p. 133.

 

Livro Mediunidade Estudo e Prática
FEB

 

 

PSICOGRAFIA

 

ALMA QUERIDA

 

            Alma querida e boa por que esta insistência em querer desvendar o passado?
            Viva o presente realizando o melhor e conseguirás a paz que almejas.
            Se o passado fora perfeitamente permitido por Deus como prova do seu amor para ficar encoberto não seria rebeldia exagerada querer desvendá-lo?
            É amor do Pai para que não se perca e sofra bem mais.
            E por que às vezes pede prova, uma prova para acreditar definitivamente nos Espíritos pedindo para vê-los? Vê-los para que?
            Aproveite a visão perfeita e mergulhe nas páginas educativas do bom livro e console-se.
            Busque com a visão perfeita enxergar os mais diferentes defeitos que te infelicita e inquieta e eduque-se.
            Visão perfeita para corrigir aquilo que hoje está te perturbando, desequilibrando a mente.
            Não precisa de provas, Deus te deu dons maravilhosos, mas todos eles serão despertos com disciplina, trabalho e dedicação; estudo constante e fidelidade para edificar o Reino de Deus no teu coração.
            Coloque os pés bem firmes no chão e saia da ilusão. E com convicção e gratidão ao Pai esmere-se na transformação moral. Nada desperta por acaso, tudo é fruto de muita dedicação e trabalho.
            Em nenhuma ciência será diplomada se não houver anos e anos de aplicação e esta ciência do Espírito não é diferente.
            Filha querida mire-se no nosso modelo Jesus e esquecida de si auxilie os sofredores e serás auxiliada pelo Pai Maior.
            Paz e Bem.


CESFA
Campo Grande/MS.

 

 

Espiritismo para Crianças
Marcela Prada
Tema: Lei de Destruição

 

O BOSQUE ESTÁ VIVO

 

            Vinícius gostava de passear com sua mãe em um bosque perto de sua casa. Eles moravam numa cidade pequena, de ruas tranquilas e bastante vegetação.
            Desde pequeno eles costumavam caminhar até o fim da rua, pegar o caminho de terra e chegar ao bosque, onde havia muitas árvores, grandes e bonitas. Vinícius gostava de subir em algumas delas e tinha até as suas preferidas.
            Às vezes ele ia lá com alguns amigos, também. Depois de brincarem, eles se sentavam embaixo das árvores para descansar e conversar. Eram sempre momentos muito felizes, que se vinham repetindo havia muito tempo.
            Naquele ano, porém, na região em que Vinícius morava, uma seca muito intensa estava castigando toda a natureza.             Já haviam passado várias semanas sem cair nem uma gota de chuva sequer.
A mãe de Vinícius lhe recomendava todos os dias que ele não se esquecesse de beber água e também cuidava das plantas da sua casa, regando-as frequentemente.
            As árvores do bosque eram grandes, com raízes profundas, que absorviam água situadas debaixo da terra. Mesmo assim, até o solo estava ficando com pouca umidade e as folhas e galhos das árvores já estavam bem ressecados.
            Certo dia, Vinícius e outras crianças estavam brincando na rua, quando um amigo deles veio correndo afobado, gritando, e deu a notícia:
            – O bosque está pegando fogo!
            Todo mundo se assustou. Foi aquela agitação. A mãe de Vinícius, ouvindo o barulho diferente, saiu na porta de casa para ver o que estava acontecendo. Outros adultos também fizeram o mesmo e um pequeno grupo logo se formou, querendo ver de perto se aquilo era mesmo verdade.
            Mas eles nem precisaram chegar ao bosque para ver que infelizmente estava mesmo havendo um incêndio lá. Bastante fumaça preta se via de longe. Chegando um pouco mais perto se ouviam os estalos e o som típico da madeira queimando.
            Uma enorme tristeza tomou conta de todos. Bombeiros de outra cidade tiveram que vir para ajudar a controlar o fogo e evitar que ele chegasse às casas. Todos ficaram muito assustados. O incêndio durou várias horas, até que enfim foi apagado.
            No dia seguinte, quando Vinícius foi até o bosque com sua mãe, encontrou tudo queimado, os troncos das árvores pretos, os galhos retorcidos e as copas destruídas. Vendo suas árvores preferidas deformadas pelo fogo Vinícius começou a chorar.
            Vinícius sentia-se desolado. Ele só conseguia ver ali destruição e pensar no que havia sido perdido. Ele não conhecia nada sobre a lei de Deus que rege as destruições. Elas acontecem de tempos em tempos e marcam o fim de um período, mas marcam também o início de outro. Por meio da destruição as coisas podem ser renovadas mais rapidamente. Elas trazem novas oportunidades e por isso Deus as permite.
            O tempo passou, Vinícius foi para a casa de sua avó, em outra cidade, e ficou lá as férias todas.
            Quando voltou para casa, retomou, aos poucos, sua rotina e um dia, passeando com sua mãe, foram caminhando até o bosque, como faziam antes.
            Vinícius, que ainda se lembrava fortemente da última vez que havia estado ali, admirou-se, dessa vez, com o que viu.
            Dos troncos escurecidos pela fuligem, estavam nascendo novos galhos verdinhos. Ele percebeu que o incêndio não tinha sido o fim de tudo. As árvores ainda tinham forças e estavam ali, ressurgindo.
            – Mãe! O bosque ainda está vivo! – disse o menino animado!
            Vinícius continuou visitando o bosque várias vezes e acompanhou a renovação das árvores. Algumas, que tombaram ou ficaram muito prejudicadas, foram retiradas pela prefeitura, que cuidou também de melhorar o ambiente, formando caminhos entre as árvores e plantando outras espécies, que davam frutas ou lindas flores.
            Vendo a destruição que o incêndio causou, Vinícius não podia imaginar como o bosque ficaria bonito depois. Mas essa experiência o ajudou a aprender que sempre devemos ter esperanças e confiar na providência divina. Pois Deus está sempre atuando e com o tempo (e com trabalho, também, é claro) tudo caminha sempre para melhor.

 

            Material de apoio para evangelizadores:
            marcelapradacontato@gmail.com

 

O Consolador
Revista Divulgação Espírita
2024

 

 

PARÁBOLA DA ESPIGA

 

            “O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente à terra, e dormisse, e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz frutos; primeiro a erva, depois a espiga e por último o grão cheio na espiga. Depois do fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.” (Marcos, 4:26-29)

           

            Esta parábola de Jesus, de forma alegórica, em poucas palavras, explica o processo evolutivo para se alcançar o reino Deus em toda a sua plenitude.
            Alírio de Cerqueira Filho, no livro Parábolas Terapêuticas: uma abordagem psicológica transpessoal-consciencial das Parábolas de Jesus, no capítulo 6: Parábola da espiga, expressa que esta parábola retrata a trajetória do ser espiritual, da consciência de sono até o despertar consciencial, em seu processo de evolução, pela prática das virtudes na busca do reino de Deus, ou seja, evoluir até a plenitude. É assim que se aproxima de Deus pelo conhecimento da verdade até a angelitude.
            Alírio escreve: “Esse processo de evolução é realizado pelo plantio do bem e do amor em nossos corações, o que gerará a felicidade plena. Todos nós estamos encarnados para edificar o Reino de Deus dentro de nós mesmos.”
Em seguida, para uma melhor compreensão, Alírio esclarece os termos utilizados na passagem evangélica.
            O homem representa o ser espiritual, encarnado ou desencarnado, compreendendo a Humanidade inteira, que é convidado a evoluir moral e espiritualmente.
            A semente simboliza a essência divina que somos. A evolução começa a partir dessa semente divina (da criação do Espírito simples e ignorante), independentemente da sua vontade, que é criada para se desenvolver, cumprindo o seu destino. A produção do fruto será resultado de sua ação, sendo que o despertar é um processo gradativo.
            A terra somos nós, em várias existências sucessivas, para receber a semente divina de forma consciente. No mesmo sentido, na Parábola do semeador também somos representados por tipos de solos, ou terras, para receber a semente.
Alírio explica: “Nessa parábola estamos vendo diferentes símbolos com o mesmo significado. O homem é um Ser espiritual, encarnado ou desencarnado, que joga a semente na terra, isto é, nele mesmo.”
            Assim, Jesus ensina que o reino de Deus surge como fruto da ação humana em direção da própria evolução; da semente lançada no próprio ser, que traz consciência das leis divinas e das virtudes a serem desenvolvidas.
            Alírio esclarece que na consciência desperta a pessoa tem ciência do seu processo evolutivo, enquanto na consciência de sono ela não tem, para despertar mais tarde.
            “Jesus diz que em quaisquer circunstâncias a semente brota e cresce, sem ele saber como isso acontece. O Mestre simboliza aqui o processo de evolução humana.” (Alírio, pg. 105)
            Quando o ser cai em si, começa a despertar a consciência e evoluir em direção para a vida eterna, utilizando adequadamente o seu livre-arbítrio.
            Importante frisar que o Espírito imortal, pelo determinismo divino, está destinado à perfeição em pluralidade de existências. Cedo ou tarde, ele despertará para a evolução em direção ao eterno bem.
            Nesse contexto, a planta representa o primeiro estágio de evolução, em que o ser está em consciência de sono, sem dar conta do próprio processo evolutivo. A evolução acontece de forma passiva, desconhecendo o significado da pluralidade de existências para progredir. É a fase em que o ser está desenvolvendo o conhecimento intelectual.
            A espiga representa o início do despertar de consciência, vislumbrando possibilidades de evolução.
Os grãos que preenchem a espiga representam a consciência plenamente desperta, na qual o ser evolui intensamente para a vida eterna. Os grãos na espiga são a fase da vivencia das leis divinas.
            A espiga madura colhida se transforma em alimento aos que têm fome. É o trabalho do ser consciente desenvolvendo as virtudes do coração, sendo instrumento de Jesus, o Pão da Vida, para saciar definitivamente a fome e auxiliar os demais a fazerem o mesmo, produzindo frutos em abundância.
            A espiga é ceifada, doando seus frutos para saciar a fome com o verdadeiro amor. 
            A Palavra de Jesus é fonte de todas as transformações, influxo divino que ergue e movimenta os seres, elevando-os aos cimos mais elevados da espiritualidade.
            Com a Boa Nova, Jesus ensina o caminho que conduz ao reino de Deus e os meios de se reconciliar com o Pai, ou seja, o caminho para atingir a perfeição seguindo a senda do bem por meio do amor a Deus e ao próximo.
            A conquista do reino de Deus deve ser o objetivo de todos os seres humanos, mas este reino ainda não está completamente dentro de nós e tampouco se estabeleceu neste mundo.
            O Mestre ensina que dia virá em que o reino de Deus será deste mundo. Isso dar-se-á quando os homens forem regenerados pela verdade na estrada do progresso e da fé.
            Os cidadãos do reino são aqueles que renasceram, deixam que a palavra divina tenha domínio sobre suas vidas. Eles seguem o Evangelho e formam, hoje, coletivamente, o território da nação de Deus.
            Agora, podemos entender que o reino de Deus está em nosso próprio Espírito, quando aceitamos as leis de Deus e o seu reinado.
            Precisamos começar a semear o reino de Deus dentro de nós, como cidadãos desse reino, para juntos tornar este planeta, no futuro, uma morada mais digna para as próximas gerações no caminho da regeneração da Humanidade, acolhendo as oportunidades abençoadas e pelas ações no sentido de elevarmos as vibrações de todo o orbe terrestre.

 

            BIBLIOGRAFIA:
            - BÍBLIA SAGRADA.
            - CERQUEIRA FILHO, Alírio de. Parábolas Terapêuticas: uma abordagem psicológica transpessoal-consciencial das Parábolas de Jesus. Volume 2. 1ª Edição. Cuiabá/MT: Editora Espiritizar, 2012.
            - KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
            - MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I: orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

 

Consolador
2025

 

QUAL PORTA ESCOLHEMOS?!…

 

            A vida nos oferece, a cada instante, uma multiplicidade de escolhas. Essas decisões definem nosso caminho, nossa jornada e revelam até mesmo nossa essência. Um dos ensinamentos mais profundos encontrados nos Evangelhos é a referência a duas portas: a porta larga e a porta estreita. No Evangelho segundo Mateus, Jesus nos alerta de maneira clara: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela; mas estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que a encontram” (Mateus 7:13-14). Essas duas portas simbolizam as escolhas que fazemos em nossa vida, as quais nos conduzem a destinos completamente diferentes.
            A porta larga, muitas vezes associada à facilidade, representa o caminho da conformidade, das escolhas rápidas e sem reflexão, onde a tentação de seguir a multidão é forte. Neste caminho, não há desafios significativos, e a vida se torna um fluxo sem maiores questionamentos. É a opção que muitos tomam, atraídos pela promessa de prazeres imediatos, sem considerar as consequências futuras. No entanto, o caminho largo, por ser tão atraente e acessível, muitas vezes nos leva a lugares onde a verdadeira satisfação e paz são escassas, ou até inexistem. Exemplos dessa porta ampla são encontrados em comportamentos egoístas, materialistas e, muitas vezes, no abandono de valores que deveriam ser primordiais.
            Por outro lado, a porta estreita é a escolha mais difícil, porém mais gratificante. Ela exige esforço, reflexão e renúncia. Seguir por essa porta não significa que a vida será sem dificuldades, mas, ao contrário, ela é o símbolo da superação pessoal, do compromisso com o bem e da dedicação ao próximo. Ela nos chama a sair da zona de conforto e a trabalhar pelas nossas virtudes, em vez de buscar soluções rápidas e superficiais. Exemplos de quem escolhe a porta estreita são aqueles que, apesar das adversidades, persistem no bem, que escolhem o amor e o perdão ao invés da raiva e da vingança, que dedicam tempo ao autoconhecimento e ao serviço desinteressado.
            Na época de Jesus, a expressão “porta estreita” tinha um significado muito mais palpável. Referia-se a uma entrada nas muralhas das cidades antigas, através da qual não se podia passar com carga pesada. O “camelo passar pelo buraco de uma agulha”, outro ensinamento de Jesus, compartilha da mesma ideia de renúncia e do esforço necessário para se alcançar o Reino de Deus. A porta estreita era, portanto, um símbolo da necessidade de se abandonar aquilo que pesa, que limita a nossa liberdade e crescimento espiritual. E assim, a metáfora da porta estreita convida-nos a fazer escolhas que exigem desprendimento e responsabilidade.
            Dentro da visão espírita, a importância das escolhas é ainda mais evidenciada. O Espiritismo nos ensina que somos responsáveis pelas decisões tomadas em nossa vida, e que essas escolhas reverberam tanto no presente quanto no futuro. A encarnação, segundo o Espiritismo, não é uma chance única, mas uma oportunidade de aprendizado e evolução espiritual.             As portas que escolhemos em nossa vida são, muitas vezes, aquelas que nos conduzem ao crescimento ou à estagnação. A responsabilidade sobre essas escolhas implica o entendimento de que somos cocriadores de nossa realidade, e que nossas ações e atitudes moldam o futuro, tanto no plano material quanto espiritual.
            A verdadeira liberdade está em escolher conscientemente o caminho da evolução. Não podemos nos enganar com as aparências; as escolhas mais fáceis e imediatas nem sempre nos levam ao bem verdadeiro. A responsabilidade de nossas escolhas é o que nos faz crescer espiritualmente, e essa escolha implica discernir entre aquilo que é efêmero e aquilo que é duradouro. A porta estreita não é apenas uma escolha de moralidade, mas uma opção de verdadeira liberdade, onde não estamos mais presos às falsas ilusões do mundo material.
            A vida é repleta de portas a serem abertas, e em cada uma delas existe um caminho a ser percorrido. A escolha entre a porta larga e a porta estreita não se dá apenas uma vez, mas em múltiplos momentos da nossa existência. A cada decisão, a cada atitude, estamos mais próximos de um caminho ou de outro. Se pudermos, de fato, escolher o caminho da porta estreita, optaremos por um futuro de luz, de consciência e de verdadeira felicidade, onde o peso das escolhas erradas não mais nos sobrecarregará. Essa é a grande lição que a vida, tanto no Evangelho quanto na Doutrina Espírita, que revive a mensagem do Cristo essencialmente, nos ensina: as escolhas têm peso, e a responsabilidade de decidir é um exercício de sabedoria.
            Portanto, qual porta escolhemos? Em cada momento, somos convidados a refletir sobre nossas atitudes e nossos caminhos. A porta estreita nos oferece um caminho de crescimento, embora desafiador, e nos conduz à paz e à harmonia com o que realmente importa. Já a porta larga nos seduz com promessas de facilidade, mas nos distancia do que é eterno. A decisão está em nossas mãos, e, ao escolhermos a porta estreita, podemos, aos poucos, transformar nossa vida em um reflexo do bem, do amor e da verdade onde estivermos e aonde formos.
            Eu já fiz a minha escolha, e você?!…
            Qual porta você tem escolhido no dia a dia de sua existência?

 

@geraldocampetti

 

 

CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ

 

            De: Astolfo O. Oliveira Filho
            Editora: Editora Virtual O Consolador (EVOC)

 

            O título da obra foi inspirado nesta frase de Jesus anotada pelo evangelista João: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (João, 8:32.) A palavra do Mestre, bastante conhecida, é clara e segura. Mas, alguém certamente perguntará, a que verdade Jesus se referiu?
            A questão foi examinada no livro Fonte Viva, obra psicografada pelo médium Chico Xavier, em que no capítulo 173, intitulado “Ante a luz da verdade”, Emmanuel diz que “a verdade libertadora é aquela que conhecemos na atividade incessante do Eterno Bem”. E, na sequência, acrescenta: “Penetrá-la é compreender as obrigações que nos competem. Discerni-la é renovar o próprio entendimento e converter a existência num campo de responsabilidade para com o melhor. Só existe verdadeira liberdade na submissão ao dever fielmente cumprido. Conhecer, portanto, a verdade é perceber o sentido da vida. E perceber o sentido da vida é crescer em serviço e burilamento constantes.”
Constituída de 60 capítulos, a obra apresenta-nos temas diversos tratados à luz do conhecimento espírita, cuja proposta é ajudar o leitor a perceber qual é, de fato, o sentido da vida e, em consequência disso, libertar-se do erro, buscar o crescimento espiritual e seguir com firmeza no caminho que o conduzirá ao objetivo final de nossa presença no mundo.

 

 

PRECE DE ANO NOVO

 

            Senhor, neste ano que se inicia....
            Não te pedimos a isenção das provas necessárias, mas apelamos para sua misericórdia, a fim de que as nossas forças consigam superá-las.
            Não te rogamos a supressão dos problemas que nos afligem a estrada; no entanto, esperamos o apoio do teu amor, para que lhes confiramos a devida solução com base em nosso próprio esforço.
            Não te solicitamos o afastamento dos adversários que nos entravam os passos e obscurecem o caminho; todavia, contamos com o teu amparo de modo que aprendamos a acatá-los, aproveitando-lhes o concurso.
            Não te imploramos imunidades contra as desilusões que porventura nos firam, mas exortamos o teu auxílio a fim de que lhes aceitemos sem rebeldia a função edificante e libertadora,
            Não te suplicamos para que se nos livre o coração de penas e lágrimas; contudo, rogamos à tua benevolência para que venhamos a sobre estar-lhes o amargor, assimilando-lhes as lições!!..
            Senhor, que saibamos agradecer a tua proteção e a tua bondade nas horas de alegria e de triunfo; entretanto, que nos dias de aflição e de fracasso, possamos sentir conosco a luz de tua vigilância e de tua benção!..

 

Chico Xavier
Emmanuel

 

 

NA PREGAÇÃO

 

            “Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando vos cada vez mais, seja menos amado.” Paulo (II Coríntios, 12:15)

 

            Há numerosos companheiros da pregação salvacionista que, de bom grado, se elevam a tribunas douradas, discorrendo preciosamente sobre os méritos da bondade e da fé, mas, se convidados a contribuir nas boas obras, sentem-se feridos na bolsa e recuam apressados, sob disparatadas alegações.
            Impedimentos mil lhes proíbem o exercício da caridade e afastam-se para diferentes setores, onde a boa doutrina lhes não constitua incômodo à vida calma.
            Efetivamente, no entanto, na prática legítima do Evangelho não nos cabe apenas gastar o que temos, mas também dar do que somos.
            Não. basta derramar o cofre e solucionar questões ligadas à experiência do corpo.
            E imprescindível darmo-nos, através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade, para atender, substancialmente, as nossas obrigações primárias, à frente do Cristo.
            Quem, de algum modo, não se empenha a benefício dos companheiros, apenas conhece as lições do Alto nos círculos da palavra.
            Muita gente espera o amor alheio, a fim de amar, quando tal atitude somente significa dilação nos empreendimentos santificadores que nos competem.
            Quem ajuda e sofre por devoção à Boa Nova, recolhe suprimentos celestes de força para agir no progresso geral.
Lembremo-nos de que Jesus não só cedeu, em favor de todos, quanto poderia reter em seu próprio benefício, mas igualmente fez a doação de si mesmo pela elevação comum.
            Pregadores que não gastam e nem se gastam pelo engrandecimento das ideias redentoras do Cristianismo são orquídeas do Evangelho sobre o apoio problemático das possibilidades alheias; mas aquele que ensina e exemplifica, aprendendo a sacrificar-se pelo erguimento de todos, é a árvore robusta do Eterno
            Bem, manifestando o Senhor no solo rico da verdadeira fraternidade.

 

Fonte Viva
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

 

EDIÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA “VALE DA ESPERANÇA”
Rua Colorado nº 488, Bairro Jardim Canadá, CEP 79112-480, Campo Grande-MS.

Reunião Pública: Quinta-Feira 19:30