"Luzes do Amanhecer"

Fundado em 16/07/1996 publicado 02/02/2006
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA - ANO XX - N. 229 * Campo Grande/MS * Fevereiro de 2025.
EDIÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA “VALE DA ESPERANÇA”
Rua Colorado n o 488, Bairro Jardim Canadá, CEP 79112-480, Campo Grande-MS.

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           Persista ainda que tudo ao derredor pareça ruir, os profetas do pessimismo sempre estão difundindo o caos, mas apesar de todas as contingências do caminho, vive essa grata esperança de que a vida sempre continuará constituindo, assim, a base do seu futuro.

 

 

"Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" JESUS

 

Por Rodolpho Barreto Pereira

 

            Claro: podemos -e devemos- amar (muito) a nossa família, nossos amores, pais, mães, filhos, avós etc. Mas, o IDEAL, é que esse amor seja sem apego, ou seja, sem o sentimento de posse ou dependência. Como dizem os pais: nossos filhos são criados para o mundo! Então, que sejam criados para serem independentes de nós - e nós, deles.
Somos todos irmãos, companheiros de jornada! O amor verdadeiro é o amor que liberta. Amar não é aprisionar o ser amado. Por essa maneira equivocada de amar é que ainda sofremos demasiadamente, por exemplo, com o luto de nossos entes queridos, seja o luto pelo que chamamos de morte, seja o luto do "crescimento", como no caso dos filhos crescidos que saem de casa. Amar, enfim, não é grudar no outro! É preciso SABER amar!
            Pergunta: "Como as tristezas dos que ficam na Terra afetam o Espírito que partiu? Resposta: Ele é sensível à lembrança daqueles que amou, mas uma dor incessante e desarrazoada pode o afetar penosamente, porque nesse excesso há uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus... Para efeitos comparativos: Se dois amigos estão presos, mas um deles obtém a liberdade primeiro, seria amoroso o que ficou querer que o outro partilhe por mais tempo do seu cativeiro? O mesmo acontece entre dois seres que se amam na Terra..." (Questão 936 do Livro dos Espíritos)
            Nascemos para conviver em família, sim, mas cada qual é uma individualidade e tem a sua própria caminhada a fazer. Nossos familiares não são nossos. Nossos pais não são nossos: são espíritos que uniram suas vidas para nos dar a vida, mas eles têm as suas próprias trajetórias, antes e depois de nós. Nossos filhos não são nossos: são filhos de Deus, como nós, mais cedo ou mais tarde retornando a Deus, apenas temporariamente submetidos e confiados à nossa guarda e responsabilidade.
            Nossos parentes, amigos e afetos NÃO são nossos, de forma alguma. Agarrar-se a familiares de modo exagerado gera desajustes, que levam os indivíduos envolvidos ao desequilíbrio.
            Cada pessoa que vive neste planeta deve aprender suas próprias lições. Podemos, sim, oferecer aos familiares uma atmosfera de compreensão e apoio, para que tenham em nós o amor necessário à sua evolução. Entretanto, é imperativo que se entenda que comportamentos possessivos são prejudiciais, portanto, não são o amor, na concepção correta do termo. O exemplo clássico de criaturas apegadas é o daquelas que hoje são criadas por "superpais", ou seja, pais e filhos em excesso de posse, carência e dependência, um com o outro.
            Como estamos em relação aos nossos entes queridos? Somos independentes ou dependentes deles? Amamos ou queremos possuir? Somos apegados ou somos livres⁉️
            "Encontramos uma das maiores lições do desapego nas palavras de Jesus de Nazaré, quando se aproveitou da circunstância em que estavam reunidas várias pessoas, e lançou o ensinamento do 'amor sem fronteiras'. Apesar de respeitar e amar profundamente sua família, exaltou o "desapego familiar" como meta que todos devemos atingir, a fim de alcançarmos os superiores princípios da liberdade e fraternidade universal" (Livro: Renovando Atitudes – lição: pg. 191/193).

 

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REFLETINDO...

 

            Talvez, perdoar... Porque não se pode mais sustentar essa ideia de vingança, ela está fazendo-me um mal enorme. Cansei de sofrer alimentando em meu coração nesse ódio que me faz infeliz. Desejo mudar, dizer adeus a essa tortura de tantos anos, quero respirar o ar puro da manhã, porque vivo sufocado por essa tortura de todos os dias, sempre realimentado esse desejo de vingança sem fim...
            Afinal é necessário por um fim a este sentimento e já sou capaz de identificar como nocivo e sem finalidade que abrasou os meus dias por tanto tempo. Desejo fazer alguma coisa para ocupar a minha mente atormentada por essa ideia de revide, fazer alguma coisa para encontrar algum momento de paz. Não quero sequer pensar mais, pois não suporto a ideia de realimentar esse ódio a cada manhã, porque é necessário seguir em frente.
Os amigos de tantos anos seguiram em demanda de um grande destino, porém eu fique preso na retaguarda da evolução, sem sentido, porque me julgava no direito de tudo fazer, sem receber qualquer represália aquelas atitudes infelizes e insensatas.
            Mas para tudo a realidade um dia chega, para mim também chegou ao fim. Só que me fazia de surdo para não ouvir os clamores de minhas vitimas, e um dia o cálice transbordou e quando me julgava senhor absoluta da situação, eis que um forte abalo tira-me a vida.
            Como também tinha tantos desafetos que no momento não pude saber de onde partira a vingança, porque quem bate esquece rapidamente, mas quem apanha nunca esquece, fora na verdade o meu caso esquecera que sempre agira com truculência e de maneira cruel.
            Um vitima dos meus desatinos resolveu exercer a sua vingança e fez com todo o requinte de crueldade, aliás, compatível com o que sempre fizera. Porque me julgar no direito de assim proceder sem nenhum freio ou responsabilidade e nesse dia chegou o veredicto para me chamar à realidade, aliás, não havia outro meio que entendesse.
            Inconformado com a situação eu sofri por muitos anos o achaque de minhas vitimas que já estava na outra margem da vida. Crescia o desejo de vingança no meu coração, mas as minhas vitimas de ontem não me deixava tempo para pensar, mas a vingança era o pensamento de todas as horas.
Essa tortura que sofri todos os momentos, sem encontrar trégua, porque sofria tanto pelo meu exacerbado orgulho, e o desejo de vingança às vezes realimentado por esse orgulho sem medida, aliado ao egoísmo feroz que tirava a noção da realidade e queria a desforra por qualquer meio.
            Apesar do sofrimento vivia empenhado nessa luta feroz, mas ele conseguiu desvencilhar-se de minhas teias, isto me deixou mais enlouquecido de ódio e permaneci por longos anos a espreita. Mas num dia de grande abatimento moral, finalmente descobri que o filho dele, era o meu filho querido de outras épocas, que convivia com ele de maneira tão harmoniosa e feliz. Nesse dia reacendeu novamente o ódio, porque supunha que os familiares eram minha propriedade, não entendia que ele estava sendo educado de maneira digna para ser um homem de bem. Algo que nunca sequer pensara para o seu futuro, mas queria que ele fosse igual a mim, mau e truculento e não alguém que soubesse respeitar o próximo.
            Depois de muito me torturar. Pensei, afinal, o que poderia ter feito por ele? Contrariando as minhas expectativas ele fez aquilo que não seria capaz de fazer. Na realidade  tinha que repensar tudo que mantinha em meu coração. Por isso estou meditando profundamente no que farei dos meus dias, talvez, perdoar e seguir o meu destino, talvez começar o difícil caminho de volta...

 

Não Espere Demais
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes

 

PEQUENAS ANOTAÇÕES

 

            Conserve o coração em paz. A luta é longa e difícil. Mas quem está em paz sempre é capaz de superar os obstáculos, porque à medida que caminha o horizonte se alarga e pode com conhecimento de causa  fazer as melhores escolhas.
            Mantém-se fiel ao trabalho do bem, cumprindo o seu papel, com vantagens para si e para os outros.
            Pode se contar feliz de passar alguma coisa boa aos outros, porque pode ser esse o primeiro passo que dá na senda libertadora.
            Mas lembre-se que está vivendo num mundo de provas e expiações, logo não pode esperar facilidades. E quando estas ocorrem aproveite o bom tempo para semeadura, talvez quando desperte já tenha passado a época propicia para  semear. Por isso mesmo plante no seu coração a sagrada semente do amor e da caridade, porque estas lhe serão a segurança no dia de amanhã.
            Não deixe a tarefa de hoje para o dia seguinte, pode ocorrer que amanhã não chegue para você neste mundo e com isso passe a oportunidade de haver cumprido um nobre dever que lhe daria as grandes compensações do trabalhador de boa vontade.
            Mas por hora persiste no trabalho que vem realizando, continue as tarefas rotineiras que lhe darão o esclarecimento para empreendimentos maiores e espere a inspiração do Senhor para que saiba qual o passo seguinte.
             Porque tudo depende de Deus, mas Ele conta com os seus filhos amados para desenvolver o trabalho em favor dos outros menos favorecidos, a fim de que o próprio homem auxilie o seu semelhante, gerando a fraternidade e o amor entre todos.
            Na verdade todos são chamados ao trabalho renovador do amor ao próximo, neste fundamento que se ergue o Cristianismo em sua maior expressão, ou seja, no amor a Deus e ao próximo.     
            Mas para amar ao próximo é necessário o esforço continuado daquele que a isso se proponha e já compreendeu qual é o melhor caminho, por isso a necessidade de esclarecer-se para que possa servir com mais sabedoria.
            O trabalho do Cristo é incessante, por toda a parte estão os trabalhadores do bem tendo por meta auxiliar o próximo, porque nesse estágio de sua evolução é a melhor opção.
            Mas o esforço em perseverar no trabalho é difícil e complicado, porém deve estar bem consciente de sua importância para que não venha a desistir.
            Como for siga em frente cheio de fé e de confiança, aproveitando cada momento para ser útil ao próximo e ao mundo que está vivendo. Preciso que olhe o mundo com otimismo e se vista de esperança e alegria.
            Considere que por maiores que sejam as contrariedades do mundo intimo o Sol continua belo e rutilante, trazendo vida e esperança a todos os recantos da Terra a todas as criaturas.          Assim também a natureza vem cumprindo o seu papel, as aves do céu constroem os seus ninhos, os lírios crescem no vale, a chuva mansa encharca a terra e a vida brota cheia de esperança e todos cantam a glória de viver, porque vivendo se pode construir um mundo melhor. Áulus  

 

Luzes da Ribalta
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes

 

 

CLASSIFICAÇÃO DA MEDIUNIDADE: EFEITOS INTELIGENTES

 

            • Médiuns audientes: “São os que ouvem a voz dos Espíritos […]; trata-se de uma voz interior que se faz ouvir no foro íntimo das pessoas.
            De outras vezes é uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva [encarnada]”.128
            A “voz interior” da frase caracteriza uma percepção mental (um som ou palavras que cruzaram o cérebro), própria da mediunidade audiente intuitiva. Já a expressão “voz exterior, clara e nítida” indica que além da percepção mental, propriamente dita, ocorreu uma atuação nos órgãos da audição. Nesta situação, ocorreram, simultaneamente, um efeito inteligente (percepção mental) e um efeito físico (ação no órgão da audição).
            Os médiuns audientes podem, assim, conversar com os Espíritos. Quando têm o hábito de se comunicar com determinados Espíritos, eles os reconhecem imediatamente pela natureza da voz. [...] Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons, ou somente aqueles por quem chama. Entretanto, o quadro muda por completo quando um Espírito mau se agarra a ele, fazendo-lhe ouvir a cada minuto as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes.129

 

            • Médiuns falantes ou psicofônicos: nestes, o Espírito comunicante “[…] atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. […]”130
            É uma faculdade muito útil na comunicação de Espíritos necessitados de auxílio, porque, além de viabilizar o atendimento direto por meio do diálogo fraterno e esclarecedor, é possível envolver o sofredor em vibrações harmônicas do passe e da prece. Da mesma forma que os médiuns audientes, os psicógrafos podem captar as ideias do Espírito comunicante intuitivamente. Nesta situação, o transe mediúnico é leve (superficial), a comunicação é mais direta, pois o médium não se deixa envolver tanto pelas vibrações desarmônicas do sofredor, auxiliando-o como o faria, por exemplo, uma enfermeira junto ao enfermo. Os médiuns psicofônicos intuitivos são numerosos e predominam nas reuniões mediúnicas espíritas.
            Quando a manifestação psicofônica é mais intensa (transe menos superficial), o médium sofre junto com o sofredor e, não raro, deixa-se impregnar pelas vibrações desarmônicas que, sendo absorvidas, são somatizadas, mesmo após o encerramento da comunicação e afastamento do Espírito.
            Contudo, com a educação da faculdade mediúnica, o estudo contínuo e o esforço de melhoria moral, o médium aprende a neutralizar as vibrações, auxiliando eficazmente o necessitado espiritual.
            Se o transe mediúnico é bem mais profundo, o medianeiro entra em um estado de sonambulismo, e, ainda que não esteja dormindo, não se recorda do que transmitiu durante a manifestação do Espírito. Nessas condições, pouco comuns atualmente, o médium falante geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas ideias habituais, aos seus conhecimentos e, até mesmo, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente se lembra do que disse. [...] Nem sempre, porém, a passividade do médium falante é tão completa assim. Alguns têm intuição do que dizem, no momento exato em que pronunciam as palavras.131

            • Médiuns psicógrafos: são pessoas que transmitem pela escrita mensagens dos Espíritos. Em O livro dos médiuns, capítulo XIII, o Codificador classifica a mediunidade de psicografia em dois tipos: a) psicografia indireta — quando o Espírito utiliza um instrumento que não seja a mão do médium. Nesta situação, trata-se de mediunidade de efeito físico; b) psicografia direta ou manual — quando o Espírito utiliza a mão do médium.132 Allan Kardec pondera, também, que de [...] todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. [...] Pela facilidade com que podem exprimir-se, eles [os Espíritos] nos revelam seus mais íntimos pensamentos e nos facultam apreciá-los em seu justo valor. Além disso, entre as faculdades mediúnicas, a de escrever é a mais suscetível de ser desenvolvida pelo exercício.133

 

Referência:
128 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XIV, it.165, p. 174, 2013.
129 Id. Ibid.
130 Id. Ibid. It. 166, p. 174-175.
131 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XIV, it. 166, p. 175, 2013.
132 Id. Ibid. It. 157, p. 167.
133 Id. Ibid. Cap. XV, it. 178, p. 183.

 

Livro Mediunidade Estudo e Prática
FEB

 

 

PSICOGRAFIA

 

                Maria José Vieira, brasileira, viúva, dois filhos, vivia muito bem com meu marido, cuidando dos filhos e tocando a vida com muita facilidade, pois que o marido era bem empregado, não faltava nada.
            Assim que a vida seguia aquela rotina, até que um dia o marido fora vítima de um mal súbito, vindo a desencarnar, ficando assim completamente desnorteada, pois que não sabia como ligar com uma situação dessa.  Não sabia como reagir, nunca tivera iniciativa para coisa alguma, o marido sempre se encarregava de tudo, mas seja como for daquele dia em diante teria que tomar uma decisão. Recomeçar uma nova vida. Os pais até que podiam ajudar em alguma coisa, mas não podia depender deles em tudo. Pensava, pensava até que surgiu uma oportunidade para se empregar no comércio como vendedora. Não podia recusar, ainda que fosse pouco o que ganharia, mas é melhor ganhar pouco do que não ganhar nada. Assim raciocinava.
            Naquele mesmo dia começou a trabalhar, uma segunda feira, os primeiros dias foram difíceis, não tinha noção de muita coisa, mas não faltava boa vontade, mas com muito esforço começou aprender cada detalhe daquela profissão, e de tanto se empenhar até que conseguiu aprender muitas coisas. É verdade que a vida começara difícil, tendo que deixar os filhos com os pais. Sempre havia necessidade do básico em casa. Mas procurava conversar muito com os filhos, pois que não havia outro jeito.  E devia dar bom exemplo em tudo.
            Procurava no emprego dar o melhor de si, pois que dependia daquele salário par viver com os filhos. Tudo fazia para ser uma boa funcionária.  Trabalhar com a certeza de um suporte financeiro era tudo que queria, a fim de garantir a sobrevivência digna, muito embora muitas pessoas não se colocavam com dignidade na vida, ali naquela casa de comércio não era diferente. Muitos daqueles já funcionários antigos não se conformavam com o sucesso dos outros. Não procurava fazer a parte deles e ainda criticava os outros. Porém ela se desdobrava para dar conta de suas inúmeras atribuições. Não sabiam aqueles funcionários mais antigos a necessidade do trabalho enobrecedor. Logo começou a fermentação dos invejosos, alegava que trabalhavam ali há tanto tempo e nunca tiveram as regalias que a novata tinha, não admitiam isso, não eram capazes de compreender que ela conquistara aquele espaço com esforço e competência. Embora nunca trabalhasse fora do lar, desde a juventude lera muito e conseguira alcançar nesse campo, pois que a leitura sempre alarga os horizontes das pessoas e ela tinha essa facilidade de aprender e com isso granjeara a simpatia dos patrões, começando assim uma grande empatia entre os proprietários marido e mulher, que embora não fosse muito antiga naquela loja era solicitada a toda hora para resolver este ou aquele problema. Outros funcionários procuravam um meio de atingi-la, mas não encontravam uma brecha. Os homens porque ela era uma figura muito carismática e porque os padrões a consideravam muito, nas mulheres era mais o despeito por ser ela muito bonita, estava em plena maturidade de matrona, equilibrada, bela, serena, de bem com a vida e se esforça muito para dar conta de todo as suas responsabilidades, isto realmente fazia a diferença.

Campo Grande/MS.

 

 

Espiritismo para Crianças
Marcela Prada
Tema: Perseverança

 

A TARTARUGA QUE QUERIA SER RÁPIDA

 

            Em uma floresta encantada vivia uma tartaruga chamada Tina. Diferente das outras tartarugas, Tina sonhava em ser rápida. Todos os dias Tina via os coelhos e outros animais correrem pelo campo e desejava poder fazer o mesmo. Seus amigos riam e diziam:
            - Tina, as tartarugas são lentas por natureza, aceite isso.
            Mas Tina não desistiu. Ela decidiu pedir ajuda à coruja sábia, Aurora, que vivia no topo de uma árvore alta.
            - Olá, Aurora! - chamou Tina - Você pode me ensinar a ser rápida?
            Aurora, com seus olhos brilhantes, olhou para Tina e respondeu:
            - Tina, a velocidade não é o mais importante. Para chegar a algum lugar o mais importante é ter perseverança e paciência. Se você quiser aprender precisará de ambas.
            Tina ficou confusa, mas confiou na sabedoria de Aurora e decidiu seguir seus conselhos.
            Todos os dias Tina praticava. No início não parecia haver progresso. Ela ainda era lenta, mas a corujinha Aurora continuava encorajando-a.
            - Continue, Tina, a perseverança é a chave!
            Meses se passaram e Tina percebeu algo incrível. Embora ainda não fosse tão rápida quanto um coelho, ela conseguia mover-se com mais agilidade e segurança. Ela conseguia chegar a lugares que antes achava impossível. E o mais importante, Tina aprendeu a apreciar a jornada e a beleza ao seu redor, algo que os animais mais rápidos raramente notavam.
            Um dia houve uma grande corrida na floresta. Todos os animais participaram e Tina decidiu tentar também.
No início ela estava muito atrás, mas não desistiu. Lembrando-se das palavras da coruja sábia Aurora, continuou passo a passo.
            Enquanto os animais mais rápidos se cansavam, Tina com sua persistência e paciência continuava.
            No final, embora não tenha ganhado a corrida, Tina foi aclamada como a heroína do dia. Todos reconheceram sua determinação e aprenderam uma lição valiosa. Tina, então, percebeu que o importante não era correr velozmente. O mais legal era nunca desistir.
            Ela aprendeu que com perseverança e paciência qualquer objetivo pode ser alcançado. Não importa quão difícil pareça.
            E assim, Tina se tornou um exemplo na floresta, mostrando que o importante não é ser veloz, o mais importante é ter determinação, persistência e paciência.

 

            Material de apoio para evangelizadores:
            Clique para baixar: Atividades
            marcelapradacontato@gmail.com

 

O Consolador
Revista Divulgação Espírita
2024

 

 

E DEPOIS DA MORTE?

 

por Ricardo Baesso de Oliveira

 

            Meu avô paterno, Astolfo Olegário de Oliveira, instantes antes da desencarnação, junto de quase todos os filhos, descreveu, muito emocionado, o ambiente espiritual que o cercava. Não era médium, mas a proximidade da morte lhe dilatou a visão espiritual. Viu minha avó paterna, Anita Borela, um grande amigo das lides espíritas, Abel Gomes, e outros amigos desencarnados.
            Trata-se de um fenômeno relativamente comum.
            Muitas pessoas, de diferentes religiões, se interessam por esse assunto: o que acontece depois da morte?
            Conta-se que um padre residente em Juiz de Fora (MG), muito preparado, inteligente e espirituoso, dirigia um seminário de final de semana para jovens católicos. No momento das perguntas, um rapaz apresentou-lhe essa questão:  o que se dá depois da morte?
            Sua resposta surpreendeu a todos:
            - Meus amigos, vamos deixar que os espíritas estudem sobre a morte. A nós cabe estudarmos sobre a vida.
Dentre os espíritas que estudaram sobre a morte, destaca-se o filósofo italiano, Ernesto Bozzano. Ele estudou o assunto em um livro denominado A crise da morte. Segundo ele, grande parte dos Espíritos que se comunicaram através dos médiuns afirmam:
            1º) se terem encontrado novamente com a forma humana;
            2º) terem ignorado, durante algum tempo, que estavam mortos;
            3º) haverem passado, no curso da crise pré-agônica, ou pouco depois, pela prova da reminiscência sintética de todos os acontecimentos da existência que se lhes acabava (“visão panorâmica”);
            4º) terem sido acolhidos no mundo espiritual pelos Espíritos das pessoas de suas famílias e de seus amigos mortos;
            5º) haverem passado, quase todos, por uma fase mais ou menos longa de “sono reparador”;
            6º) terem-se achado num meio espiritual radioso e maravilhoso (no caso de mortos moralmente normais) e num meio tenebroso e opressivo (no caso de mortos moralmente depravados);
            7º) terem reconhecido que o meio espiritual era um novo mundo objetivo, substancial, real, análogo ao meio terrestre espiritualizado;
            8º) haverem aprendido que isso era devido ao fato de que, no mundo espiritual o pensamento constitui uma força criadora, por meio da qual todo Espírito existente no “plano astral” pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações;
            9º) não terem tardado a saber que a transmissão do pensamento é a forma da linguagem espiritual, se bem certos Espíritos recém-chegados se iludam e julguem conversar por meio da palavra;
            10º) terem verificado que, graças à faculdade da visão espiritual, se achavam em estado de perceber os objetos de um lado e outro, pelo seu interior e através deles;
            11º) haverem comprovado que os Espíritos se podem transferir temporariamente de um lugar para outro, ainda que muito distante, por efeito apenas de um ato da vontade, o que não impede também possam passear no meio espiritual, ou voejar a alguma distância do solo;
            12º) terem aprendido que os Espíritos dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que lhes convém, por virtude da “lei de afinidade”.

 

Consolador
2025

 

 

TIO NILSON, UM HOMEM DE BEM

 

Divaldo Franco
Professor, médium e conferencista

 

            Se estivesse reencarnado no dia 26 do outubro de 1924, Nilson de Souza Pereira completaria 101 anos de idade.

 

            Renascido há um século na “cidade” suburbana de Plataforma, Cidade de Salvador – Capital do Estado da Bahia, a sua foi uma existência que o tornou um homem de bem, como classificou Allan Kardec, aquele cuja caminhada se caracteriza pela honradez e dedicação aos valores éticos e morais da sociedade. Nas suas palavras: “O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem” (O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 123. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. XVII, Sede perfeitos).
            Desde muito jovem, tomando conhecimento do Espiritismo, passou a estudá-lo e a viver os seus ensinamentos formosos, criando conosco o Centro Espírita Caminho da Redenção, no dia 7 de setembro de 1947.
            O verdadeiro espírita, conforme definiu o codificador da doutrina, “é todo aquele que se esforça para ser hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje”, lutando sempre contra as suas imperfeições.
            Compreendendo que o Espiritismo é portador da filosofia do Cristianismo, Nilson fez-se um cidadão cumpridor dos seus deveres para consigo mesmo e a sociedade, esforçando-se para ser um exemplo, e em 15 de agosto de 1952 criou conosco a Mansão do Caminho, para educar e amparar crianças abandonadas, órfãs ou sem qualquer amparo.
            Portador de rara capacidade profissional em diversas atividades, foi mestre de várias gerações de crianças, amando e disciplinando com esmero.
            Era capaz de consertar com habilidade tudo quanto lhe chegava às mãos, tornando-se um verdadeiro orientador das nossas crianças e adultos que participavam da nossa comunidade.
            Com sua simplicidade e alegria de viver com retidão e sabedoria, tornou-se respeitado e muito amado, havendo deixado marcas profundas do seu trabalho em todos os setores da nossa Instituição.
            Construtor exemplar, todo o planejamento da nossa comunidade foi realizado por ele, sob a proteção de Jesus e dos bons Espíritos, deixando uma obra digna de respeito e admiração.
Viveu com simplicidade e ensinou com grandeza moral.
            Proferia palestras ricas de lições evangélicas, nas quais encontrava força para lutar pelo aperfeiçoamento moral e direção da nossa Casa.
            Acompanhou-nos em diversas viagens pelo Brasil, Américas e Europa, divulgando as sublimes lições do Mestre Jesus.
            Que Deus continue inspirando e protegendo o Seu filho amado.

 

            Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 24 de outubro de 2024.

 

Editorial FEB
2025

 

 

QUEM TEM MEDO DA OBSESSÃO?

 

            De: Richard Simonetti
            Editora: CEAC/FEB

 

            O que é a obsessão espiritual? Como ocorre? Quais suas causas e consequências? Como evitá-la?
            Desmistificando superstições e falsas crenças quanto à existência de seres diabólicos ou demoníacos, esta obra apresenta a contribuição da Doutrina Espírita para o tratamento e a prevenção desse mal.
            Por meio de casos ilustrativos e comentários claros, didáticos e espirituosos, Richard Simonetti, em breves capítulos, elenca os principais aspectos relativos ao processo obsessivo, evidenciando em que medida nossos hábitos, paixões e vícios, sobretudo os morais, representam portas abertas para a instalação da obsessão espiritual. Tensões e ansiedades. Angústias e depressões. Perturbações e desequilíbrios. Neuroses e psicoses. Vícios e compulsões.
            Se você deseja compreender os métodos de ação de Espíritos obsessores, em linguagem leve e de fácil compreensão, as páginas deste livro transformarão sua maneira de perceber a realidade ao seu redor.

 

 

FÉ E PERSEVERANÇA

 

            Três rapazes suspiravam por encontrar o Senhor, a fim de fazer-lhe rogativas.
            Depois de muitas orações, eis que, certa vez, no campo em que trabalhavam, apareceu-lhes o carro do Senhor, guiado pelos anjos.
            Radiante de luz, o Divino Amigo desceu da carruagem e pôs-se a ouvi-los.
            Os três ajoelharam-se em lágrimas de júbilo e o primeiro implorou a Jesus o favor da riqueza. O Mestre, bondoso, determinou que um dos anjos lhe entregasse enorme tesouro em moedas, O segundo suplicou a beleza perfeita e o Celeste             Benfeitor mandou que um dos servidores lhe desse um milagroso ungüento a fim de que a formosura lhe brilhasse no rosto. O terceiro exclamou com fé:
— Senhor, eu não sei escolher... Dá-me o que for justo, segundo a tua vontade.
            O Mestre sorriu e recomendou a um dos seus anjos lhe entregasse uma grande bolsa.
            Em seguida, abençoou-os e partiu...
            O moço que recebera a bolsa abriu-a, ansioso, mas, oh! desencanto!... Ela continha simplesmente uma enorme pedra.
            Os companheiros riram-se dele, supondo-o ludibriado, mas o jovem afirmou a sua fé no Senhor, levou consigo a pedra e começou a desbastá-la, procurando, procurando...
            Depois de algum tempo, chegou ao coração do bloco endurecido e encontrou aí um soberbo diamante. Com ele adquiriu grande fortuna e com a fortuna construiu uma casa onde os doentes pudessem encontrar refúgio e alivio, em nome do Senhor.
            Vivia feliz, cuidando de seu trabalho, quando, um dia, dois enfermos bateram à porta. Não teve dificuldade em reconhecê-los. Eram os dois antigos colegas de oração, que se haviam enganado com o ouro e com a beleza, adquirindo apenas doença e cansaço, miséria e desilusão.
            Abraçaram-se, chorando de alegria e, nesse instante, o Divino Mestre apareceu entre eles e falou:
            — Bem-aventurados todos aqueles que sabem aproveitar as pedras da vida, porque a fé e a perseverança no bem são os dois grandes alicerces do Reino de Deus.

 

Livro Pai Nosso
Francisco Candido Xavier
Pelo Espírito de Meimei

 

 

PROCUREMOS COM ZELO 

 

            “Procurai com zelo os melhores dons e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.” Paulo (I Coríntios, 12:31)

            A ideia de que ninguém deve procurar aprender e melhorar-se para ser mais útil à Revelação Divina é muito mais uma tentativa de consagração à ociosidade que um ensaio de humildade incipiente.
            A vida é curso avançado de aprimoramento, através do esforço e da luta, e se a própria pedra deve sofrer o burilamento para refletir a luz, que dizer de nós mesmos, chamados, desde agora, a exteriorizar os recursos divinos?
            Ninguém interrompa o serviço abençoado da sua educação, a pretexto de cooperar com o Céu, porque o progresso é um comboio de rodas infatigáveis que relega para trás os que se rebelam contra os imperativos da frente.
            É indispensável avançar com a melhoria consequente de tudo o que nos rodeia.
            E o Evangelho não endossa qualquer atitude de expectativa displicente.
            A palavra de Paulo é demasiado significativa.
            Dirigindo-se aos coríntios, o apóstolo da gentil idade exorta-os a procurarem com fervor os melhores dons.
            É imprescindível nos disponhamos a adquirir as qualidades mais nobres de inteligência e coração, sublimando a individualidade imperecível.
            Cultura e santificação, através do trabalho e da fraternidade, constituem dever para todas as criaturas.
Autoaperfeiçoamento é obrigação comum.
            Busquemos, zelosos, a elevação de nós mesmos, assinalando a nossa presença, seja onde for, com as bênçãos do serviço a todos, e tão logo estejamos integrados no esforço digno, dentro da ação pessoal e incessante no bem, o Alto nos descortinará mais iluminados caminhos para a ascensão.

 

Fonte Viva
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

 

 

DECÁLOGO PARA ESTUDOS EVANGÉLICOS

 

            Na noite de 21 de março de 1952, no “Centro Espírita Luiz Gonzaga”, em Pedro Leopoldo, discutia-se sobre a melhor maneira de orientar a pregação espírita cristã, quando André Luiz externou-se acerca do assunto, com a seguinte página:

 

            DECÁLOGO PARA ESTUDOS EVANGÉLICOS
            1 — Peça a inspiração divina e escolha o tema evangélico destinado aos estudos e comentários da noite.
            2 —Não fuja ao espírito do texto lido.
            3 — Fale com naturalidade.
            4 —Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem.
            5 —Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança.
            6 —Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar os ouvintes.
            7 —Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e Compreensão.
            8 —Não faça comparações, a fim de que seu verbo não venha ferir alguém.
            9 — Guarde tolerância e ponderação.
            10 —Não tenha indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do Bem.

            André Luiz
            Cremos que esta pequena Mensagem oferece interessantes apontamentos, dando-nos o que pensar.

 

Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

 

 

EDIÇÃO DO CENTRO ESPÍRITA “VALE DA ESPERANÇA”
Rua Colorado nº 488, Bairro Jardim Canadá, CEP 79112-480, Campo Grande-MS.

Reunião Pública: Quinta-Feira 19:30