JUÍZO FINAL
No Novo Evangelho temos explicitamente a informação promessa, que no juízo final Jesus virá sobre as nuvens para julgar os vivos e os mortos. Palavras confirmadas por Ele mesmo e pelos seus apóstolos à multidão de pessoas que prosternadas, lhe responderam: glória a Jesus, filho de Deus que virá sobre as nuvens proferir suas temíveis sentenças.
Diz Allan Kardec que Deus o enviará, como sempre o enviou, para realizar a soberana justiça e pergunta se isso não é a mesma coisa que dizer que Ele vem perpetuamente receber as almas que entram no mundo Espiritual?
Sim, Jesus virá julgar os vivos e os mortos, passando à direita os justos, que seguiram a Lei de Deus e indo para Ele e à esquerda aqueles que se deixaram levar pelas paixões terrenas, condenados a recomeçar o caminho em nova existência na Terra, até quando conseguirem se livrar das impurezas que ainda os dominam.
O Espiritismo é a única doutrina que realmente consola, dando esperanças a quem descumpriu a Lei de Deus, não condenando à danação eterna os infelizes que se comportaram mal durante um pequeno tempo comparado à eternidade.
Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Continua Allan Kardec, o ilustre codificador da salutar doutrina dos Espíritos, a dizer que no quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria.
Jesus falava a homens incapazes de compreenderem as questões legitimamente espirituais, apresentando então figuras chocantes para os impressionar e naquele julgamento, não perguntou se os homens preencheram alguma formalidade, mas perguntou se a caridade foi praticada, dizendo: passai à direita vós que assististes vossos irmãos e passai à esquerda vós que fostes duros para com eles, não perguntando sobre sua fé, sem distinguir quem crê de um modo ou de outro; considerando apenas a condição única da caridade, sem dizer outra condição, porque ela abrange a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.
Referências bibliográficas:
- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec.
Crispim
2025
SÚPLICA EM ABERTO
Senhor!
Diante da vida sinto-me como uma folha seca carregada pelo vento, mas se houver um pequeno gesto de segurança dentro de mim, auxilia-me para que essa pequena esperança que existe em meu coração transforme-se em fagulha maior para iluminar os meus passos.
Por certo que se existe na intimidade do meu ser algo bom, instrui-me na pratica reiterada do bem, por isso ajude-me a com a sua sabedoria para que possa cultivar a fé raciocinada que me dará o apoio naquelas noites mais escuras da existência.
Sou aquela criatura tão imperfeita e que carrega dento de si tantas contradições, mas se existe uma pequena claridade em meu caminho ampara-me para que consiga caminhar mais uma milha com os meus adversários de ontem e de hoje. Com isso pouco a pouco possa até adquirir méritos para ser feliz, amando o próximo, pois que estou ciente que carrego a necessidade urgente de ser útil neste planeta abençoado.
Se muitas vezes encontrar obstáculos para superar e diante problemas e situações adversas, dá-me forças para que possa lutar o bom combate, sem reclamar das dificuldades e limitações de minha personalidade. Se houver alguma disposição dentro de mim para prática do bem que o faça com todas as forças de minha alma.
Se houver uma pequena possibilidade de dar um passo a frente, ajuda-se Senhor para que não perca essa oportunidade de servir.
Se existe uma pequena possibilidade de praticar o bem que tenha coragem de espalhar mesmo que sejam migalhas, mas não me deixe inativo diante do bem a fazer, porque já estou convencido que necessito realizar alguma coisa, porque a prática da caridade é à base de toda a felicidade.
Mas que guarde o discernimento de unir à caridade a humildade para que quando ofereça os pequenos recursos aos mais necessitados, o orgulho exacerbado não anule o mérito da pequena oferta.
Diante da vida conceda-me a graça de ser útil, mesmo que seja para alimentar um cão, mas não me deixe preso ao comodismo, porque é anular a vontade criadora e a mais perniciosa atitude, por isso favoreça-me com a sua misericórdia.
Quando estiver a ponto de desistir, ajuda-me para que reconheça o enorme mal que estarei fazendo a mim mesmo, desprezando a maior oportunidade de minha vida.
Se num momento de insensatez queira desistir da tarefa abençoada que escolhi com tanto entusiasmo, até alegando desculpas, tais como: estou cansado, já cumpri a minha parte, já estou no fim da vida, não me deixe cair nessa armadilha, porque será sempre a pior decisão na vida de qualquer um.
Mas reanime a minha esperança para continuar até o fim da jornada, ciente de que todos os obstáculos e dificuldades serão as argamassas para pavimentar o caminho com dignidade. Concede a coragem continuar trabalhando de sol a sol na seara do bem, porque estou ciente que é a melhor opção para os filhos acordados de Deus, pois é melhor sofrer até por uma grande causa, do que desistir, ou ficar inativo.
Assim por maiores que sejam os empecilhos, nunca me deixe desistir do bem a realizar, nem que seja o último ato de minha vida, porque de outras vezes desisti e colhi amargos sofrimentos que não quero nunca mais repetir os mesmos erros do passado.
Pois que estou convencido que sem a caridade não se caminha, assim diante de todo o ensejo de praticar o bem não me deixe desistir, mas cumprir o meu compromisso até o fim.
Por isso, Senhor, de mim se compadeça para que eu consiga cumprir com a minha responsabilidade sem exigir do outro o que é de minha obrigação. Áulus.
Não Espere Demais
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes
VIVER É ALGO MUITO SÉRIO
Considere-se a brevidade da vida e faça alguma coisa no campo da caridade ainda hoje e não deixe para amanhã, porque o dia de amanhã é um dia incerto em que não se pode garantir nada, pois que o intervalo de um minuto pode acontecer muita coisa.
E a vida é o tesouro mais precioso que se tem, pois dela tudo depende. É a armadura em que ancora o invólucro espiritual, por ele se manifesta neste mundo, logo todo o esforço deve aplicar em manter até o ultimo segundo essa chama acesa, porque o futuro depende de esforços que faça hoje.
Quantos dormiram reis e acordaram vassalos e quantos dormiram ricos e acordaram pobres. Assim a vida pode de repente adormecer com todas as vantagens do mundo e sequer acordar no dia de amanhã, tal a instabilidade que vive neste mundo, porque não sabe o dia nem à hora de retorno a casa espiritual.
Claro que essa permanência pode demorar muito e pode acabar no minuto seguinte, por isso mesmo que aproveite a bem. Cumpra os compromissos sem esquecer nenhum detalhe para no dia de retorna esteja em condições de voltar, sem necessidade de olhar para trás, porque cumpriu assim o programa previsto para aquela encarnação.
Assim que se empenho a cada dia em cumprir com os seus deveres, não os deixe se possível, nada para o dia seguinte.
Por isso que esteja com a bagagem pronta, não deixe para depois porque se de repente pode não dar mais tempo.
Pois que se tiver alguma coisa contra alguém, vá e peça perdão, reconcilie com os adversários enquanto estão a caminho com eles e a morte não o surpreenda com mágoa no coração, pois que pode essa sombra escurecer e desorientá-lo e constituir um empecilho a sua libertação.
Se tiver algum propósito em andamento, apresse-se em concluí-lo para que esteja pronto quando soar à hora de retorno a pátria amada.
Mas especialmente se tem amado ao próximo com todas as forças do seu coração, talvez tudo dependa deste gesto generoso de hoje, porque no momento seguinte dependerá por sua vez daquele que teve a felicidade de auxiliar. Pois ele será o seu grande defensor e ninguém em absoluto pode prescindir do auxilio alheio.
Por esse motivo, preste muita atenção no que faça, não fira a ninguém por motivo nenhum, nem se deixe envolver nas teias das ambições exageradas.
Como também não perca tempo com futilidades, porque viver é algo tão sério que não pode deixar nada para trás. Pois cumprindo rigorosamente com o seu dever, especialmente o mais sagrado deles, que o amor ao próximo – talvez o mais difícil de todos -, mas também aquele que mais compensação lhe dará aqui neste campo de provas. Áulus
Luzes da Ribalta
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes
CLASSIFICAÇÃO DA MEDIUNIDADE: EFEITOS INTELIGENTES
• Médiuns videntes: São dotados da faculdade de ver os Espíritos […] em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam a lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. É raro que esta faculdade seja permanente […]. Podemos incluir, na categoria dos médiuns videntes, todas as pessoas dotadas de dupla vista. A possibilidade de ver os Espíritos quando sonhamos não deixa de ser uma espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, mediunidade de vidência. [...] O médium vidente julga ver com os olhos, como os que são dotados de dupla vista; mas, na realidade, é a alma quem vê, razão pela qual eles tanto veem com os olhos fechados, como com os olhos abertos. 137
• Médiuns sonambúlicos: São os que, sob transe profundo, transmitem comunicações dos Espíritos. “O sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; é a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe. […]”138
O indivíduo considerado pura e simplesmente sonâmbulo não é, propriamente, médium no sentido estrito da palavra. O sonâmbulo possui a faculdade anímica de sair do corpo (“desdobrar-se”), presenciar acontecimentos, conversar com Espíritos e transmitir informações que julgar pertinentes. O médium sonambúlico age como intermediário dos Espíritos quando se encontra parcialmente desligado do corpo físico, fornecendo aos circunstantes as informações que lhe foram dadas pelos comunicantes espirituais.
São duas ordens de fenômenos que frequentemente se acham reunidos. O sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; é sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. Ele tira de si mesmo o que expressa. Em geral, suas ideias são mais justas do que no estado normal, e mais amplos os seus conhecimentos, porque sua alma está livre. [...] O médium, ao contrário, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo, e o que diz não vem dele. Em resumo, o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, ao passo que o médium expressa o pensamento de outrem. [...]139
Como faculdade psíquica do ser humano, a mediunidade se desenvolve paulatinamente: “[...] se manifesta nas crianças e nos velhos, em homens e mulheres, sejam quais forem o temperamento, o estado de saúde e o grau de desenvolvimento intelectual e moral. Só existe um meio de se comprovar sua existência: é experimentar”,140 afirma Allan Kardec.
É importante considerar que, se a mediunidade faz parte do programa reencarnatório, é totalmente improdutivo forçar o desenvolvimento de uma mediunidade que não foi incorporada ao psiquismo do Espírito ou que ainda se revela incipiente. É medida de prudência deixar que a faculdade se manifeste espontaneamente.
A psicografia pode se manifestar de forma mecânica, intuitiva e semimecânica.
1. Médiuns psicógrafos mecânicos
O Espírito atua diretamente sobre a mão do médium, ele lhe dá uma impulsão completamente independente da vontade deste último. Enquanto o Espírito tiver alguma coisa a dizer, a mão se move sem interrupção e à revelia do médium, parando somente quando o ditado termina.134
2. Médiuns psicógrafos intuitivos
A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma, já que designamos por esse nome o Espírito encarnado. O Espírito comunicante não atua sobre a mão para fazê-la escrever; não a toma, nem a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma do médium, sob esse impulso, dirige sua mão e a mão dirige o lápis. [...] É ela quem recebe o pensamento do Espírito comunicante e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento.135
3. Médiuns psicógrafos semimecânicos
No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que sua mão é impulsionada contra sua vontade, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro, o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, antes da escrita; no terceiro, ao mesmo tempo que a escrita. Estes últimos médiuns são os mais numerosos.136
Nas reuniões mediúnicas espíritas, os Espíritos orientadores se manifestam mais usualmente pela psicografia e pela psicofonia. Esta última, contudo, é mediunidade prioritária para atendimento aos Espíritos sofredores, como já foi dito.
Referência:
134 Id. Ibid. It. 180, p. 184.
135 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XV, It. 180, p. 184, 2013.
136 Id. Ibid. Cap. XV, It. 181, p. 185.
137 Id. Ibid. Cap. XIV, it. 167, p. 175.
138 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XIV, it. 172, p. 178, 2013.
139 Id. Ibid. Cap. XIV, it. 172, p. 178.
140 Id. Ibid. Cap XVII, it. 200, p. 205.
Livro Mediunidade Estudo e Prática
FEB
PSICOGRAFIA
O Previsível
Sempre se espera o óbvio, mas este às vezes não acontece, muitas vezes espera a chuva que ameaça vir e não vem, outras vezes o salário atrasa, outras vezes o dinheiro não dá para o mês, ou o filho que reprova, ou a filha que passa no vestibular, mas não tem o que comer. Ou fica namorando o dia inteiro ao telefone, depois não tem dinheiro para pagar no fim do mês. Em tudo há facilidade, com iguais chances de ocorrer, mas para ocorrer depende de uma série de fatores, até mesmo de sonegadores, que está oculto na manga do cartola que tem o seu curinga para resolver qualquer parada. O óbvio não é previsível, a vida é quase uma certeza, mas muitas vezes necessariamente não dá certo. São mil tentativas alguns fenômenos ocorrem, mas se ocorrer pode levar muitas pessoas a ruína. Uma chuva revigora as plantas e fertiliza a terra, mas ela não pode fazer crescer a planta, sem o concurso do agricultor que a semeia.
Para quem quer reclamar, nada mais óbvio do que o por quê? Mas se o argumento não é sólido, até o óbvio pode ser descartado, por opção de algo melhor, mas em caso de dúvida convém considerar. Às vezes o óbvio não é tão necessário como parece. É uma questão de ponto de vista.
Um sinal atrapalha o trânsito e provoca um acidente, que óbvio que o sinal era para ajudar o trânsito numa melhor, mais manero, mas infelizmente, meu pai pirou, porque alguém passa na frente e ele reclama fortaço do outro. O carro degringola e vai levando tudo no peito, sem mais, nem porque e saí pela janela para andar mais rápido e quebrei a cabeça naquela árvore madura que estava na calçada. Fiz uma viagem legal, todo mundo estendido no chão, parecia até morto, se não fosse encenação, até que também vi um cara parecido comigo deidadaço no chão com a cabeça com trauma, só a roupa que era a minha, legal pensei que era um sonho, flutuava por cima de tudo, claro, ninguém me ouvia, mas eu entendia tudo, estava numa boa, vendo todo mundo de televisão.
Parece que até o relógio encrencou, não vi mais nada. Uma tal Ana apareceu e disse que era minha vó. Olha cara, pensei, estou doidaço, minha vó já tinha ido para o andar de cima. Já tinha pegado uma ponte área para o jardim de Alá há muito tempo. Já fugi dela por uma hora. Agora dizer para seguir com ela, isso não cara. Sou morto novo e não entro nesse barco. Quero minha liberdade, nada mais, é melhor continuar minha viagem só, essa história avó não é “manera” de jeito nenhum.
Carlos Tal
Campo Grande/MS.
Espiritismo para Crianças
Marcela Prada
Tema: Evolução
O FALCÃO E A CORUJA
Era uma vez um jovem falcão que voava muito rápido. Ele era mais rápido do que todos os outros pássaros da sua idade e se orgulhava disso.
Ele vivia se exercitando para voar cada vez melhor. Isso era muito bom, pois seu empenho o fazia ser cada vez mais habilidoso.
Porém, quanto mais ele se aperfeiçoava, mais orgulhoso ficava. Além disso, o falcão não tinha a menor preocupação em usar sua capacidade para ajudar alguém ou para ser útil aos outros.
Pelo contrário. Muitas vezes ele atrapalhava as outras aves, aparecendo de repente, assustando ou até desequilibrando seus companheiros, só para se divertir.
Vários pássaros começaram a reclamar da sua conduta e não o queriam mais por perto. Mas o orgulhoso jovem nem ligava. Achava-se superior a todos eles e com o direito de fazer o que quisesse.
Um dia, a coruja, que era respeitada na floresta pela sua grande sabedoria, foi chamada pelos pássaros da região para conversar com o falcão e pedir-lhe que parasse de agir daquela forma.
Mas não adiantou. Ele mal escutou os conselhos da coruja e ainda respondeu, faltando com a educação:
- Eu vou continuar voando como eu quiser! Eles que se esforcem para tentar ser melhores do que eu. Duvido que consigam!
A coruja ficou triste. Não pelo falcão não ter considerado seus conselhos, mas por perceber que ele estava fazendo escolhas erradas. A coruja sabia que o mecanismo da vida, para nos corrigir, é muitas vezes doloroso. Mas ela não podia fazer nada a não ser esperar e rezar por aquele jovem que ainda tinha muito o que aprender.
O tempo passou. Algumas coisas mudaram: O falcão não era mais tão jovem, mas continuava muito rápido, voando cada vez melhor. Suas asas eram fortes e ele tinha uma linda aparência. Não tinha, porém, nenhum amigo. Vivia solitário. Não se divertia mais atrapalhando o voo dos outros, como antes. Mesmo assim, todos conheciam bem o orgulhoso falcão e não queriam proximidade com ele.
Um dia, porém, o falcão não se sentiu bem durante o voo. Tentou pousar em um galho e quase não conseguiu. Ficou meio tonto, desequilibrado.
O falcão se assustou. Ele nunca havia sentido qualquer fraqueza. Ele ficou assim pelo resto do dia. E no dia seguinte também. O falcão estava doente, com uma doença grave que o abateu muito.
Ele sentia-se fraco. Percebia que suas asas não conseguiriam sustentá-lo. Sua cabeça doía. Suas asas e pernas não o sustentavam bem. Ele, que se orgulhava de ser rápido como um raio, estava tendo que se mover lentamente, para não piorar suas dores.
O falcão, com medo de cair de um galho, resolveu descer da árvore em que morava e ficar no chão.
Ele precisava de ajuda. Mas não tinha coragem de pedir. Sabia que não gostavam dele. E não podia culpar ninguém. Ele sempre havia agido com arrogância e desprezo. Agora via, lá de baixo, outras aves voando no céu e sentia-se humilhado.
O mal-estar do falcão foi ficando tão grande que ele teve que pedir para um esquilo ir chamar a coruja. Ela era sábia e bondosa. Nunca recusava ajudar ninguém, quando ela podia. Ela ouviu com atenção os sintomas do falcão e fez recomendações gerais para ele repousar e beber bastante água. Além disso, trouxe comida para ele.
O falcão sentiu enorme reconforto com a atitude da coruja. Seu coração encheu-se de respeito e gratidão por ela.
A coruja passou a visitar o falcão todos os dias para levar-lhe comida e ervas medicinais. Além disso, ela fazia companhia para ele e eles conversavam sobre vários assuntos, inclusive sobre Deus e Suas leis.
Vários dias se passaram e o falcão foi, finalmente, melhorando.
Um dia, quando a coruja chegou, o falcão estava no galho da árvore. E no dia seguinte, ela já o encontrou voando.
O falcão pousou ao seu lado e deu um grande abraço em sua amiga.
- Minha cara amiga, sinto-me muito melhor. Graças a Deus! E à sua bondade! Como posso retribuí-la?
A coruja sorriu satisfeita ao ver o falcão feliz e sadio, novamente.
- Não precisa me agradecer. Agradeça a Deus! – respondeu a coruja. -Tudo ocorre pela permissão dele.
O falcão e a coruja bateram as asas e foram voar juntos. Voaram e conversaram amistosamente, num passeio muito agradável. O falcão não se preocupava mais em voar tão rápido, nem tão alto, e nem em ser o melhor.
Sem perceber, agora sim, ele estava aprendendo a ser um pássaro diferenciado. A coruja estava ensinando para ele, com palavras e atitudes, que a sabedoria e a bondade são como asas e são com elas que se pode voar para o alto (na escalada evolutiva) e se tornar melhor que si mesmo, cada vez mais.
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O Consolador
Revista Divulgação Espírita
2024
ESCLARECIMENTO E CONSOLAÇÃO
por Eder Andrade
Existe um grande marco na História do Espiritismo no Brasil, o antes e o depois de Francisco Cândido Xavier. O Espiritismo na segunda metade do século XIX até à década de 1930 tinha um perfil específico, era frequentado por pesquisadores e curiosos.
Eram reduzidas as fontes de consulta para estudo e pesquisa, ficando limitadas a pouquíssimas pessoas que tinham condições financeiras para adquirir as poucas obras vendidas na época. Algumas precisavam ser encomendadas por reembolso postal.
Existiram grandes trabalhadores da Doutrina Espírita, que procuravam atender as pessoas humildes e necessitadas. Podemos destacar alguns, como Batuíra em São Paulo, Bezerra de Menezes no Rio de Janeiro, Eurípedes Barsanulfo em Sacramento e Cairbar Schutel em Matão. Eles tinham como material de estudo e pesquisa a codificação espírita e algumas obras de Léon Denis e Gabriel Delanne. Não podemos esquecer que esses personagens viveram no final do século XIX e início do século XX.
Os médiuns mais ostensivos da época trabalhavam por conta própria, contando às vezes com a improvisação. Existiam muitas agremiações espíritas, mas quase não havia reuniões de estudo doutrinário. A grande maioria eram reuniões mediúnicas para atendimento ao público em geral.
O trabalho era muito básico, influenciado pelos pesquisadores europeus sobre os fenômenos paranormais, que deixaram um legado surpreendente de informações e curiosidades. Muitas reuniões mediúnicas acabavam sendo improvisadas com a boa vontade dos participantes. Principalmente devido à influência de nomes como William Crookes, quando, em meados da década de 1870, conseguiu a materialização do espírito de Katie King, com ajuda da médium Florence Cook. (1)
Temos como exemplo o trabalho mediúnico de Ana Rebello Prado em Parintins, no estado do Amazonas, no início do séc. XX. Portadora de uma mediunidade de efeitos físicos fantástica, realizava materializações à luz do dia, em reuniões dirigidas por seu esposo, Eurípedes de Albuquerque Prado, atraindo muitos curiosos e a inimizade do clérigo local.
Essas reuniões públicas tinham uma assistência limitada, pois eram realizadas na sala da casa onde moravam. Os relatos são impressionantes de aparições de espíritos e das manifestações, que, segundo eles, eram experiências, com alternativas de êxito ou fracasso. Acabou, infelizmente, tornando-se um espetáculo que atraía apenas a curiosidade das pessoas na época. (2)
Quando Francisco Peixoto Lins, mais conhecido como Peixotinho, chegou a Pedro Leopoldo-MG em fevereiro de 1948 e assim apresentado a Chico Xavier, iniciaram-se uma série de materializações de efeitos físicos extraordinários, que marcaram a História do Espiritismo no Brasil. Os interessados em participar deviam seguir um rigoroso protocolo, ou seja, não comer carne, não fumar nem beber nos dias que iriam anteceder a reunião de materialização.
Essa experiência fantástica se encontra registrada no livro de Rafael Ranieri, Materializações Luminosas (4), com algumas fotografias e o depoimento na época das pessoas que presenciaram as materializações de entidades espirituais que se identificaram para as pessoas, como o caso da enfermeira alemã Scheilla, que permitiu ser fotografada, deixando a plateia perplexa por assistir a algo nunca visto em suas vidas.
O próprio Chico Xavier entre 1952-1953, animado com os fenômenos, passou a realizar sessões de materialização na casa do seu irmão André Xavier. As materializações feitas pelo Chico não eram não nítidas e densas, como as de Peixotinho. (3)
Ocorreram várias materializações, sendo que Emmanuel aproveitou para deixar uma mensagem de advertência a todos. A enfermeira Scheilla se materializou novamente e atendeu algumas pessoas que pediram ajuda a um amigo de Chico, Arnaldo Rocha, muito atuante no Espiritismo, na União Espírita Mineira (UEM), que ficou maravilhado quando Meimei se materializou. Ela havia sido sua esposa e desencarnara pouco tempo antes do fenômeno. (3)
Emmanuel nessa mesma época interveio nas reuniões de materializações, pois apesar de despertarem a curiosidade das pessoas, servindo para promover a divulgação do Espiritismo, elas fugiam ao verdadeiro compromisso que Chico Xavier havia assumido junto à espiritualidade, ou seja, promover o esclarecimento e a consolação dos necessitados.
O mais interessante disso tudo é que hoje essas reuniões são raríssimas, devido ao despreparo dos participantes, assim como ao nível de exigência para se obter um resultado semelhante aos obtidos no passado.
As reuniões de materialização que ainda acontecem no trabalho mediúnico são voltadas para cura e tratamento de enfermidades dos necessitados, exceção essa que Emmanuel admitiu ser a única que as justificaria. O número de médiuns de efeitos físicos e doadores de ectoplasma estão tornando-se cada vez mais raros.
No final do livro de Rafael Ranieri, encontramos a mensagem de Emmanuel, esclarecendo a mudança no curso das reuniões de materialização. Apesar de despertar a curiosidade das pessoas, não ajudava no processo de evangelização, pois a assistência estava mais interessada nos efeitos físicos, que deslumbravam os participantes. (4)
Referências:
1) Doyle, Arthur Ig. Conan; A História do Espiritismo; Cap. XI - As pesquisas de Sir William Crookes (de 1870 até o ano de 1874); Ed. Luz Espírita.
2) Magalhães, Samuel Nunes; A Mulher que falava com os mortos (2012); Cap. 3 - Manifestações Iniciais; FEB.
3) Maior, Marcel Souto; As Vidas de Chico Xavier (Ed.2022): Cap. Humberto de Campos, o escândalo; Ed. Planeta. (Edição do Kindle).
4) Ranieri, Rafael Américo; Materializações Luminosas; Cap. VIII - Página de Emmanuel; Ed. FEESP.
Consolador
2025
OBSESSÕES ESPIRITUAIS
Marta Antunes Moura
A obsessão é comum na nossa Humanidade, condição existente devido a imperfeição espiritual que caracteriza a maioria dos habitantes do mundo em que vivemos. É conceituada pelo Espiritismo como “[…] o domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas. É praticada unicamente pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento. […].”1
A propósito, Allan Kardec afirma, em A Gênese:
Os Espíritos maus pululam em torno da Terra, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação maléfica desses Espíritos faz parte dos flagelos que a Humanidade se debate neste mundo. A obsessão, que é um efeito dessa ação, como as doenças e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita como tal.2
Ainda que no momento estejamos passando por um período de transição planetária, no qual já se percebe fortes sinais indicativos de mudanças evolutivas na humanidade terráquea, cujo planeta caminha para o estado de regeneração, a Terra ainda é categorizada como mundo de expiação e provas, visto que o mal predomina.
Neste sentido, a obsessão está caracterizada como epidemia antiga, ocorrendo desde os tempos imemoriais, que alcança milhares e milhares de pessoas em todas as partes da Terra. É uma enfermidade que, para ser erradicada, necessita da melhoria humana, especialmente a de cunho moral. O ser humano moralizado ou que se empenha em se transformar em pessoa de bem, neutraliza naturalmente as investidas dos Espíritos maus.
Simples influências espirituais podem conduzir a processos obsessivos graves, transformando-se em enfermidades de longo curso, e, conforme a intensidade em que se manifestam, podem ser de difícil resolução dentro dos espaço-tempo de uma reencarnação. Conforme o caso, pode extrapolar mais de uma reencarnação. No painel das obsessões, à medida que se agrava o quadro da interferência, a vontade do hospedeiro perde os contatos de comando pessoal, na razão direta em que o invasor assume a governança. A […] subjugação pode ser física, psíquica e simultaneamente fisiopsíquica. A primeira, não implica na perda da lucidez intelectual, porquanto a ação dá-se diretamente sobre os centros motores, obrigando o indivíduo, não obstante se negue à obediência, a ceder à violência que o oprime. […] No segundo caso, o paciente vai [sendo] dominado mentalmente, tombando em estado de passividade, não raro sob tortura emocional, chegando a perder por completo a lucidez […]. Por fim, assenhoreia-se, simultaneamente, dos centros do comando motor e domina fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem nome.3
Por outro lado, é importante considerar que, além das obsessões provocadas por obsessores, propriamente ditos, existem as manifestações da auto obsessão. Silas, o orientador espiritual, em colóquio com o Espírito André Luiz pontua: “Todos os crimes e todas as falhas da criatura humana se revelariam algum dia, em algum lugar.”4 Acrescentando, à guisa de explicação: “[…] A criação de Deus é gloriosa luz. Qualquer sombra de nossa consciência jaz impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou com o pranto da expiação.” 5
Os relatos de obsessões severas (vulgarmente denominadas de “loucuras”), representam casos do domínio intenso e permanente de um ou mais Espíritos, os quais se empenham em conduzir o indivíduo a um estado ruptura mental. Os remorsos provocados por atos cometidos no passado, em outras reencarnações, podem até estar amortizados pelo esquecimento, mas jamais serão deletados da memória integral do Espírito. Nestas condições, é suficiente, às vezes, que um acontecimento comum ─ perda afetiva ou material, por exemplo ─ libere lembranças dolorosas que podem conduzir a pessoa a um estado de desestruturação mental, considerado repentino por que, entre outros fatores, não está subordinado a doenças pré-existentes, enfermidades infecciosas ou traumatismos crânio-encefálicos.
Cientes desses fatos, Bezerra de Menezes aconselha sermos mais cuidadosos na forma de como conduzimos a nossa existência, procurando agir sempre no bem, por maiores sejam os desafios:
O fato, pois, da influência dos Espíritos sobre os viventes, é o mesmo da que estes exercem, uns sobre os outros. Tal influência apresenta diversos graus: vai de simples insinuação à dominação completa da vontade. O uso que fazemos do nosso livre arbítrio, na repulsão daquela causa perturbadora, pode ser eficaz ou inútil, conforme a natureza dos nossos sentimentos. Se forem bons, a nossa resistência rechaçará todos os ataques do inimigo. Se forem maus, serão ventos a auxiliarem as correntes do inimigo. Cada um de nós forma sua atmosfera moral, dentro da qual somente podem penetrar Espíritos da nossa natureza, que são os únicos que a podem respirar, se nos permitem a expressão. Assim, os que modela suas ações, seus pensamentos e seus sentimentos, pelas normas do dever e do bem, não podem chegar senão Espíritos adiantados, jamais maléficos. 6
Referências Bibliográficas
1. KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. XXIII, item 237, p. 259.
2. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap.XIV, item 45, p. 258.
3. FRANCO, Divaldo P. Nas fronteiras da loucura. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Salvador [BA]: Alvorada, 1982. Item: Análise das obsessões, p. 15-16.
4. XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação. Pelo Espírito André Luiz. 30 ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. 4, p. 52.
5. ______. p. 52-53.
6. MENEZES, Bezerra. A loucura sob novo prisma. 14 ed. Revisada. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. III, p. 154.
Editorial FEB
2025
JOÃO E MARIA
A FÉ RACIOCINADA
De: Alexandre Hauly Camargo
Editora: EDLECX
Viaje pelo mundo infantojuvenil de João e Maria, embarcando numa jornada de inquietudes religiosas que povoam o imaginário pueril, mas que não se distanciam das hesitações incutidas na maturidade. Isto porque o pensamento desbravador e revelador pode ser desperto a qualquer momento, independente da fase do desenvolvimento humano, pois sempre é tempo para introduzir, aplicar e fortalecer a fé raciocinada. A obra transcorre em meio ao cotidiano de uma família constituída por pai e mãe amorosos, com dois filhos em crescimento físico, intelectual, ético e moral, envoltos pelo grupo parental e social. Os irmãos, ainda crianças, buscam pelo raciocínio lógico o entendimento para as bases dos ensinamentos cristãos, permeados por crenças e interpretações bíblicas várias, contudo, tendo a ciência como contraponto, tornando vigente, sobretudo, o avanço do discernimento.
ELUCIDAÇÕES
“Porque não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.” Paulo (II Coríntios, 4:5)
Nós, os aprendizes da Boa Nova, quando em verdadeira comunhão com o Senhor, não podemos desconhecer a necessidade de retraimento da nossa individualidade, a fim de projetarmos para a multidão, com o proveito desejável, os ensinamentos do Mestre.
Em assuntos da vida cristã, propriamente considerada as únicas paixões justificáveis são as de aprender, ajudar e servir, porquanto sabemos que o Cristo é o Grande Planificador das nossas realizações.
Se recordarmos que a supervisão dele age sempre em favor de quanto possamos produzir de melhor, viveremos atentos ao trabalho que nós toque, convencidos de que a sua pronunciação permanece invariável nas circunstâncias da vida.
A nossa preocupação fundamental, em qualquer parte, portanto, deve ser a da prestação de serviço em Seu Nome, compreendendo que a pregação de nós mesmos, com a propaganda dos particularismos peculiares à nossa personalidade, será a simples interferência do nosso "eu" em obras da vida eterna que se reportam ao Reino de Deus.
Escrevendo aos coríntios, Paulo define a posição dele e dos demais apóstolos, como sendo a de servidores da comunidade por amor a Jesus. Não existe indicação mais clara das funções que nos cabem.
A chefia do Divino Mestre está sempre mais viva e a programação geral dos serviços reservados aos discípulos de todas as condições permanece estruturada em seu Evangelho de. Sabedoria e de Amor. Procuremos as bases do Cristo para não agirmos em vão. Ajustemo-nos à consciência do Grande Renovador, a fim de não sermos tentados pelos nossos impulsos de dominação, porque, em todos os climas e situações, o companheiro da Boa Nova é convidado, chamado e constrangido a servir.
Fonte Viva
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel
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