O QUE SERIA MILAGRE?
Desde que o mundo é mundo acredita-se no milagre, fato que seria contrário às leis naturais, como uma cura impossível pela ciência, mas que por forças desconhecidas e atribuídas a Deus, todo poderoso, acontece, surpreendendo até mesmo os incrédulos. Nele, a maioria das religiões confirma-o como sendo real e verdadeiro, embora fique no plano do sobrenatural.
Disse antes que a maioria das religiões creem nele, mas para o Espiritismo, o milagre, palavra que vem de mirum (coisa admirável e até então inexplicável) não significa intervenção das forças da natureza, mas sim a flexibilidade dessas leis, ainda desconhecidas do espírito humano.
Não, o Espiritismo não faz milagres. Afirma que o progresso da ciência já destruiu muitos preconceitos e colocou-o na ordem das coisas naturais, pela revelação de novas leis, grande quantidade de efeitos que eram considerados miraculosos, restringindo mais ainda o domínio do maravilhoso, como aconteceu com a astronomia e a geologia.
Quando Galileu demonstrou que Josué não poderia ter parado o Sol, as pessoas que acreditavam que milagre significava apenas coisa admirável, admirariam o Espiritismo em vez de condená-lo por ter revelado ao mundo coisas que atestam muito melhor a grandeza e o poder de Deus.
Para o Espiritismo a palavra demônio também foi deturpada, pois para os antigos daimon era Espírito de ordem intermediária entre os homens e os deuses. O demônio de Sócrates não era um Espírito mau, mas pela teologia católica os demônios são anjos decaídos, seres à parte, essencialmente e perpetuamente votados ao mal.
Diz o ilustre dr. Bezerra de Menezes em sua obra “Espiritismo, Estudos Filosóficos, vol I ”O Espiritismo não admite milagres, nem fenômenos maravilhosos; ele ensina que todos os fatos físicos ou morais se prendem a leis naturais, já conhecidas umas, por serem notadas em números infinitos, e ele prescreve que se procure roubar ao ignoto estas últimas, pelo desenvolvimento da nossa perfectibilidade, que tem um caráter quase infinito. O que hoje supomos impossível, absurdo, ridículo, amanhã pode ser verdade conhecida.”
Referências bibliográficas:
- Revista Espírita 1867. Allan Kardec.
- Espiritismo, Estudos Filosóficos. Dr. Bezerra de Menezes.
Crispim.
2025
EXPOSITOR
O Benfeitor sugere que se divida o trabalho em três partes. A primeira uma análise completa da situação, ou do material recolhido, depois a exposição detalhada desse material e finalmente a conclusão, essa é a maneira mais lógica de se elaborar um trabalho, ou pelos menos a mais didática de se expor uma ideia com proveito a uma platéia.
É claro que a exposição de qualquer projeto exige sempre: um trabalho de campo onde colherá o material para servir de suporte aos seus argumentos, ordená-los de maneira lógica e sensata para que as pessoas possam entender com clareza, para depois o expositor argumentar com equilíbrio e segurança diante da platéia.
Com base nessas primícias já devidamente esmiuçadas de onde derivarão os principais argumentos. Pode citar além desses, algumas ideias secundárias para dar mais clareza ao que propõe passar ao público. Às vezes até uma história para ilustrar a ideia de um fato ocorrido pode ser um recurso importante, porque esta pode ajudar a ideia se tornar mais clara e didática.
Quanto às informações que deseja passar. Às vezes uma simples menção de um fato de menor importância dá um colorido especial e em muitos casos, fica mais fácil a exposição.
Finalmente a conclusão sempre deve fechar com precisão, de maneira levar uma mensagem que atinja ao seu objetivo, quando infelizmente na maioria dos casos fica vago essa conclusão, daí o cuidado, talvez até uma frase oportuna grave melhor tudo que fora exposto e a informação que se deseja passar aos demais.
E como a Doutrina Espírita é a da fé raciocinada as ideias expostas devem ser muito claras para que realmente as pessoas a entendam o que realmente está sendo passado, caso contrário não irá acrescentar nada a quem ouve. Logo a necessidade de ser claro e objetivo em seus argumentos. Áulus.
Não Espere Demais
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes
UNICAMENTE DE VOCÊ
Não relacione dificuldades, nem coloque obstáculos em seu próprio caminho alegando este ou aquele motivo, porque muitas vezes tudo depende unicamente de sua maneira de agir e de encarar a vida, não há justificativa razoável para o seu caso.
Pode alegar que não teve pais a altura de seus sonhos, nem esclarecimento da comunidade em que vive, mas muitas vezes também não cumpriu com as suas obrigações mais simples, portanto, não coloque a culpa nos outros.
Quantas vezes não fora a escola, logo como poderia culpar o professor por suas notas serem baixas, assim que não se julgue sem caminho, e você próprio não fez esforço nenhum para superar os obstáculos mais simples.
Não acusem que seus pais com toda humildade que lhe é peculiar não lhe proporcionaram carinho e afeto, não tem razão de assim proceder, porque sempre recebeu o melhor que eles podiam propiciar-lhes. Mas sempre insatisfeito, sem querendo mais, aliás, o que ele não tinha condições de lhe oferecer.
Não alegue que seus pais não têm cultura nem saibam falar direito. Considere que foram eles os seus primeiros benfeitores que lhe proporcionaram a vida e noites sem conta velaram a sua cabeceira para que nada de mal lhe acontecesse.
Se hoje se lamenta porque os filhos não lhe dão atenção não os recrimine. Porque nunca deu exemplo de nada, sempre preocupado com o seu conforto pessoal, relegando-os a um segundo plano, muitas vezes imaginava que colocando alimento em casa, não cabia mais nenhuma responsabilidade, deixando-os que se criasse ao Deus dará. Nem apoiara a esposa para que pudesse conter os mais rebeldes, afirmando, inclusive, isso é problema dela, não tenho nada com isso e retirava para o bar da esquina.
Se hoje malsina a sua vida com a enfermidade que carrega. Quantas vezes fora advertido que o cigarro e a bebida não são bons companheiros, mas afirmava, “na minha vida mando eu”, não aceito palpite de ninguém e continuava acintosamente a beber e a fumar, como se fosse algo da sua obrigação e nada devia a ninguém.
Quantas vezes fora advertido em seu emprego para que se portasse de maneira conveniente, respeitando o espaço dos companheiros, mas inconsequente fazia o que bem queria, até o dia que foi aos ouvidos do patrão e relacionando outros episódios, não tiveram dúvida e o despediram do emprego.
Agora não se lamente, porque todos os problemas que enfrentou até hoje dependeu unicamente de sua atuação. Ninguém lhe fez mal, nem criou impedimento para que pudesse ser feliz e de gozar de toda a liberdade de ir e vir, ter a acolhida da família, dos bons vizinhos, dos bons amigos.
Os vizinhos sempre os consideravam como trastes inúteis, sem sequer cumprimentava quando os encontrava, sempre com o seu orgulho desmedido, agora doente numa cama, unicamente a esposa abnegada é a sua companhia, que o suporta até hoje, seu mau humor, sua falta de sensibilidade diante das dificuldades.
Se diversas circunstâncias fora advertido a vida que levava não poderia dar certo. Como também viu exemplos de outros que agiram como você, mas nunca deu importância a qualquer exemplo, nem se emendou das atitudes inconvenientes que tomara, ferindo o próximo sem a menor consideração.
Por isso não se admire que esteja só, passa dia e noite numa cama sem ouvir sequer a voz de ninguém, exceto da esposa. Nem isso o comove, poderia tirar alguma lição nem que seja no derradeiro instante de sua vida por este mundo.
O pior que nem isso entendeu, daqui em breve horas soará o derradeiro instante que ficará neste mundo de provas. Nem á capaz de vislumbrar o que o espera além das cortinas da vida física.
Agora como ontem tudo dependerá unicamente de sua decisão, como também de como suportará o peso de toda a sua incompreensão que fora o que mais cultivara em toda a sua vida.
Luzes da Ribalta
Pelo Espírito de Áulus
Otacir Amaral Nunes
ECLOSÃO DA MEDIUNIDADE
Ocorrências mediúnicas são importantes na consolidação da certeza da imortalidade da alma e podem eclodir em qualquer tempo e lugar. Para serem edificantes, precisam ser consideradas com seriedade de propósitos e intenção nobre de buscar a verdade. Às instituições espíritas cabe a tarefa de orientar a prática da mediunidade que, sendo faculdade inerente à criatura humana, pode manifestar-se em qualquer pessoa, independentemente da sua idade, crença, raça ou plano de vida em que se situe.
A faculdade mediúnica ostensiva, sem o correto direcionamento, pode produzir distúrbios comportamentais, orgânicos ou até mentais, traduzidos por perturbações na vida do indivíduo e da família. Como instrumento de trabalho, sua finalidade é conduzir o indivíduo ao progresso, oferecendo significativa contribuição ao bem geral. Ser médium é agir como elo de união entre diferentes planos da vida, permitindo que desencarnados sofredores recebam a orientação e apoio que necessitam, assim como possibilitar aos bons Espíritos a chance de transmitirem mensagens de consolo e esperança.
O objetivo da Doutrina Espírita, e por extensão o da mediunidade, é a transformação da humanidade para melhor, e, segundo Allan Kardec, esse efeito se produz pelo melhoramento das massas populares, em consequência do aperfeiçoamento dos indivíduos. Refletindo a respeito, Kardec indaga:
[...] Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não torna melhor o homem, mais benevolente e mais indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e mais paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja? [...]188
CONCEITO
A palavra eclosão significa, entre outros, “abertura do que estava preso, contraído, fechado; desabrochamento; surgimento, aparecimento.”189 Eclosão da mediunidade é, pois, o início ou aparecimento de fenômenos resultantes da capacidade de uma pessoa (médium) entrar em contato com seres de outra dimensão, os chamados “mortos”, que, em linguagem espírita, são os desencarnados, seres humanos que estão fora da carne, isto é, não têm o corpo físico.
A aptidão mediúnica permite ao indivíduo resgatar, com o trabalho em prol de seus semelhantes, equívocos cometidos em vidas passadas e, ao mesmo tempo, concretizar compromissos assumidos anteriormente, no planejamento reencarnatório. Quem possui mediunidade ostensiva (de efeitos patentes) não é, necessariamente, um ser evoluído intelecto e moralmente, mas alguém que, por determinação superior, recebeu uma importante ferramenta de trabalho que deve ser utilizada como meio de autoaperfeiçoamento. Em síntese, esclarece Joanna de Ângelis:
Natural, aparece espontaneamente, mediante constrição segura, na qual os desencarnados de tal ou qual estágio evolutivo convocam à necessária observância de suas leis, conduzindo o instrumento mediúnico a precioso labor por cujos serviços adquire vasto patrimônio de equilíbrio e iluminação, resgatando, simultaneamente, os compromissos negativos a que se encontra enleado desde vidas anteriores. Outras vezes surge como impositivo provacional mediante o qual é possível mais ampla libertação do próprio médium, que, em dilatando o exercício da nobilitação a que se dedica, granjeia consideração e títulos de benemerência que lhe conferem paz.190
Quando se fala em eclosão da mediunidade subentende-se alusão ao início de uma atividade programada para ser realizada durante a reencarnação, ou seja, o exercício de uma força-tarefa de melhoria espiritual. Contudo, sendo a mediunidade inerente ao psiquismo humano, ela se desenvolve naturalmente ao longo das experiências reencarnatórias e nas suas vivências no plano espiritual.
Referência
188 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Segunda parte, cap. XXIX, it. 350, p. 376, 2013.
189 HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mario Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, p. 719.
190 FRANCO, Divaldo Pereira. Estudos espíritas. Cap.18, p.126.
Livro Mediunidade Estudo e Prática
FEB
PSICOGRAFIA
AGRADECE
Abençoada rotina! Então, porque reclamar? Porque fazer pouco caso do trabalho, das tarefas, que auxiliam, desenvolve a inteligência, o amor, as virtudes? Monotonia? Que extraordinário é repetir a lição de cada dia, porque são elas que nos livram do mal e nos preparam para melhorar acentuadamente. Tudo se transforma quando colocamos a alegria em tudo que realizamos. Experimente agradecer o trabalho porque é através dele que o pão de cada dia é garantido. Experimente louvar a oportunidade de servir e verás que muitas possibilidades surgirão; amigos fiéis, companheiros agradáveis, valores morais desenvolvidos, tudo fruto da repetição, do exercício de aprender a ser melhor.
Não reclames porque o novo dia surge e terás que recomeçar. Recomece com gratidão a Deus e tudo será mais fácil e agradecendo realizarás o que deve realizar com mais prontidão e esmero; realizarás com mais competência e brilho. A vida então sorrirá mais para ti e a paz será a tua companhia constante porque ser bom no que faz é ter a consciência pacificada.
Portanto não reclame agradeça. A reclamação queima energia e a contabilidade da vida cobrará o desperdício.
Abrace com amor a oportunidade de hoje para que no amanhã a competência te enlace.
Coragem e fé. CESFA
CESFA
Campo Grande/MS.
Espiritismo para Crianças
Marcela Prada
Tema: Parábola Os trabalhadores da última hora
OS TRABALHADORES DA VINHA
No Centro Espírita Amor e Luz, mais uma aula de evangelização infantil estava começando.
Tia Tereza contava para as crianças mais uma parábola de Jesus:
“Um senhor saiu bem cedo para contratar pessoas para trabalharem na sua vinha. (Vinha é um local onde se cultivam as videiras, que são as plantas de onde nascem as uvas.)
Ele encontrou trabalhadores e combinou de lhes pagar, pelo dia de trabalho, um denário, que era o dinheiro usado naquele tempo.
Os homens, então, foram para a vinha. Mas o senhor precisava de mais trabalhadores e contratou também outras pessoas, que foram para a vinha em horários diferentes.
Os primeiros foram logo cedo e trabalharam durante todo o expediente, que era de doze horas. Outros foram chamados na terceira hora, outros na sexta e outros ainda na nona hora.
Quando faltava apenas uma hora para terminar o período de trabalho, ou seja, na undécima hora, o senhor encontrou trabalhadores desocupados. Ele perguntou por que eles não estavam trabalhando e eles lhe responderam que era porque ninguém os havia contratado. Então, esses trabalhadores da última hora foram também contratados e foram para a vinha.
Ao final do dia, o senhor mandou que o encarregado dos seus negócios pagasse aos trabalhadores, dando um denário a cada um, começando pelos últimos que foram contratados e indo até os primeiros.
Quando os trabalhadores da primeira hora viram que os últimos a chegarem à vinha haviam recebido um denário, pensaram que receberiam mais, pois haviam trabalhado mais do que eles e suportado todo o cansaço e o calor do dia.
Porém, todos receberam a mesma quantia.
Os primeiros chamados foram, então, reclamar para o senhor, mas ele lhes respondeu:
- Meu amigo, não combinamos de você receber um denário? Não o estou prejudicando em nada. Não posso fazer o que quero e dar também aos outros? Está incomodado porque sou bom? Pegue o que é seu e vá!”
Jesus terminou a parábola dizendo: “Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.”
– Gostaram dessa parábola? – perguntou tia Tereza. – O que vocês acham que podemos aprender com ela?
– Eu acho que é a não ser invejoso – disse Caio. – O trabalhador da primeira hora ficou com inveja do outro que trabalhou pouco e ganhou o mesmo.
– Essa parábola me lembrou a da aula passada, a do filho pródigo – disse Luca. – No final o irmão foi reclamar com o pai, achando ruim ele fazer uma festa e um banquete para receber o outro filho, que tinha desperdiçado todo o dinheiro dele.
– Sim, Luca, nestas duas parábolas o senhor recebe reclamações por estar tratando bem alguém. Vocês lembram o que eu falei sobre as parábolas? Jesus sempre queria passar ensinamentos com suas histórias. Quem o senhor da parábola representa?
– Deus! – respondeu Sofia, sempre atenta.
– Isso mesmo, Sofia! – disse a evangelizadora. As pessoas às vezes não compreendem, porque não sabem tudo o que Deus sabe. Só Ele conhece totalmente as pessoas e os acontecimentos. Deus é bom e é justo também.
Tia Tereza explicou para as crianças que os trabalhadores da última hora estavam dispostos ao trabalho, mas não tinham encontrado, durante todo o dia, quem os contratasse. Estavam prestes a perder o seu dia de trabalho. Ficariam sem o dinheiro que deveriam ganhar naquele dia, que certamente lhes faria falta. Por isso, o senhor, vendo a boa vontade deles, contrata-os e paga-lhes o salário do dia todo. Se eles tivessem ficado inativos, por preguiça, certamente o senhor perceberia e não lhes daria as mesmas condições.
As crianças fizeram perguntas e foram esclarecidas por tia Tereza. No final elas compreenderam que, assim como o senhor da parábola, Deus é bom. Ele nos chama para o trabalho do bem e nos paga com felicidade. E daqueles que Ele encontra em más condições, Ele cuida mais especialmente ainda, mesmo sem descuidar dos outros.
Depois das explicações, as crianças fizeram as atividades complementares.
Para encerrar a aula, cantaram uma música e fizeram a prece.
Então todos se despediram, e foram embora, levando com eles mais uma lição de Jesus.
(Texto inspirado na parábola Os Trabalhadores da Última Hora.)
Material de apoio para evangelizadores:
Clique para baixar: Atividades
marcelapradacontato@gmail.com
O Consolador
Revista Divulgação Espírita
2025
ECOS DO PASSADO
Rogério Miguez
Há muitas dúvidas quando recém-nascidos apresentam condições contundentes e desconcertantes em seus corpos sendo obrigados, a partir de então, conviver com: graves doenças, limitações físicas, problemas variados nos cérebros, entre tantos outros, manifestando-se desde o período de nascença, e ao longo da existência, intrigando pais que não entendem, e muitos não aceitam, por qual razão o seu esperado filho vai sofrer tanto durante a existência.
Os genitores, quando religiosos, indagam por que Deus permitiu que seu filho nascesse fora do padrão de normalidade, considerando tantas crianças isentas de tais entraves. Por outro lado, caso não creiam na existência de um Criador do Universo, atribuem à genética a causa única das muitas deformidades ou limitações apresentadas, ou seja, foi o azar promovendo uma particular combinação de genes, ou seja, foi falta sorte. As considerações sobre este tema, na presente análise, não se aplicam, particularmente, aos últimos, pois estes elegeram apenas as leis da matéria para explicar o mundo em que vivem.
As famílias religiosas, formadas por seus aflitos pais e seus desanimados filhos, ainda desconhecem uma lei divina regulando e explicando estas muitas desagradáveis surpresas: a lei de Causa e Efeito, uma norma justa e misericordiosa, regendo a Humanidade, desde que o mundo é mundo.
O princípio é muito simples, determinando consequências diretas às nossas ações do cotidiano, podendo surgir ao longo da atual existência, mas também alcançam as futuras reencarnações, sendo exatamente as últimas as causadoras das maiores perplexidades nas famílias.
A lei das reencarnações também possui papel capital no entendimento desta questão, sendo ela que explica por qual razão estas consequências podem alcançar existências futuras, conforme foi ensinado no Antigo Testamento:1
“...porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Deus zeloso, que puno a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta gerações daqueles que me aborrecem, e uso de misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êxodo, 20:5 e 6.)
Considerando os religiosos crentes na unicidade da existência, também não conseguem compreender como Deus pode punir os filhos por conta dos erros dos seus pais.
O Espiritismo, em suas incontáveis explicações, possui inúmeros exemplos explicando particulares causas destes indesejados efeitos observados em crianças recém-natas:2
Intelectuais que conspurcaram os tesouros da alma, artífices do pensamento que malversaram os patrimônios do espírito, rogam empeços cerebrais, que se façam por algum tempo alavancas coercitivas, contra as tendências ao desequilíbrio intelectual.
Artistas que corromperam a inteligência intoxicando a sensibilidade alheia com os abusos da representação viciosa, imploram moléstias ou mutilações, que os incapacitem para a queda em novas culpas.
Oradores e pessoas que influenciaram negativamente pela palavra, tarefeiros do uso do verbo que se prevaleceram dela para caluniar ou para ferir, solicitam as deficiências nos aparelhos vocais e auditivos, garantindo a segregação providencial.
Os que abraçaram graves compromissos do sexo, criaturas dotadas de harmonia orgânica, que arremessaram os valores do sexo ao terreno das paixões aviltantes, enlouquecendo corações e fomentando tragédias, suplicam as doenças e as inibições genésicas que em os humilhando, servem por válvulas de contenção dos impulsos inferiores.
Entretanto, nem sempre o Espírito requisita deliberadamente determinadas enfermidades de vez que, em muitas circunstâncias quais aquelas que se verificam no suicídio ou na delinquência, caem, de imediato, na desagregação ou na insanidade das próprias forças, lesando o corpo espiritual, o que os constrange a renascer no berço físico, exibindo anomalias e moléstias congênitas, em aflitivos quadros expiatórios. No caso do suicídio, estas consequências estarão associadas à região atingida e desarranjada pelo ato suicida, ou seja, se houve envenenamento, renascerá com anomalias na laringe/garganta ou no aparelho digestivo; se o suicida se atirou de grande altura, apresentará um corpo mal formado, com graves dificuldades motoras; caso tenha atirado contra a próprio corpo físico, a região atingida apresentará problemas futuros, ou seja, no coração, na boca, no cérebro..., dependendo de onde foi desferido o tiro fatal; se o suicida encontrou o seu fim por afogamento, virá com o aparelho respiratório imperfeito, pulmões deficientes...
Em geral, nos casos de doenças compulsórias, impostas pela Lei Divina, a maioria das criaturas que trarão as provações da idiotia ou da loucura, da cegueira ou da paralisia irreversíveis, ou ainda, nas crianças-problemas, cujos corpos, irremediavelmente frustrados, durante todo o curso da reencarnação, mostram-se na condição de celas regenerativas, para a internação compulsória daqueles que fizeram jus a semelhantes recursos drásticos da Lei. Justo acrescentar que todos esses companheiros, em transitórias, mas duras dificuldades, renascem na companhia daqueles mesmos amigos e familiares de outro tempo que, um dia, se cumpliciaram com eles na prática das ações reprováveis em que delinquiram.
Por fim, é importante ressaltar que esta lei divina visa a correção do infrator, jamais a sua punição, não possui cunho de vingança, mas sempre de educação ou de reeducação, pois O Criador nos ama incondicionalmente e não deseja o sofrimento do delinquente, mas apenas a cessação do pecado.
Referências:
1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. ed. 131. Brasília/DF: FEB, 2015. cap. I. Nota 4 da Editora FEB de 1947.
2 XAVIER, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis de amor. Pelo Espírito Emmanuel. ed. 9. São Paulo/SP: FEESP, 1982. cap. I.
O Consolador
Revista Divulgação Espírita
2025
MARTA
De: Fernando do Ó
Editora: FEB
"Marta", de Fernando do Ó, é um romance espírita que explora os temas da paixão, do erro e do resgate moral à luz da doutrina. A narrativa acompanha Marta, Martinho e Fábio, três Espíritos cujas vidas estão profundamente interligadas por débitos de existências passadas.
Marta, a protagonista, cede a impulsos de uma paixão descontrolada em sua encarnação atual, levando-a a cometer graves equívocos que resultam em grande sofrimento e angústia. Seu desespero é tão intenso que culmina em uma tentativa de suicídio.
Após o gesto extremo, ela é socorrida no plano espiritual, onde recebe o amparo de Mentores e amigos dedicados. A obra detalha sua jornada de reajuste e aprendizado, destacando a necessidade da reforma íntima, do arrependimento sincero e da compreensão da Lei de Causa e Efeito.
O livro ilustra as provações dos três personagens como oportunidades de resgate moral e crescimento. Enfatizando o poder do perdão e o auxílio constante da espiritualidade superior, "Marta" é uma história sobre a possibilidade de redenção e a transformação do Espírito através das dificuldades da vida.
O SUICÍDIO EM NÚMEROS
Marta Antunes Moura
Em julho de 1862, Allan Kardec insere na Revista Espírita uma Estatística de Suicídios na França, extraída do livro Comédia social no século dezenove, de B. Gastineau, publicado pela Editora Dentu, assim se expressando:
“Calculou-se que desde o começo do século o número de suicídios na França não se eleva a menos de 300.000; e tal estimativa talvez esteja aquém da verdade, pois a estatística só oferece resultados completos a partir de 1836. De 1836 a 1852, isto é, num período de dezessete anos, houve 52.126 suicídios, ou seja, uma média de 3.066 por ano. Em 1858, contaram-se 3.903 suicídios, dos quais 853 mulheres e 3.050 homens; enfim, segundo a última estatística que vimos no correr do ano de 1859, 3.899 pessoas se mataram, a saber: 3.057 homens e 842 mulheres.”
“Constatando que o número de suicídios aumenta todos os anos, o Sr. Gastineau deplora em termos eloquentes a triste monomania que parece haver-se apoderado da espécie humana.” [1]
Após a análise dos dados estatísticos, Kardec conclui: “[…] Entretanto, a questão nos parece muito grave e merece um exame sério. Do ponto de vista em que estão as coisas, o suicídio não é mais um fato isolado e acidental; pode, com inteira razão, ser considerado como um mal social, uma verdadeira calamidade.[…].”1 O Codificador iria constatar, de forma estarrecida, que de 1859 a 2023 (passados 164 anos), a taxa de suicídio na França aumentou mais de duas vezes, ao ano, considerando estes dados comparativos:
- Taxa de suicídios em 1859/França: 3.899 [1]
- Taxa de suicídios em 2023/França: 8.905 [2]
A situação é realmente grave, necessitando desenvolver esforço persistente em prol da vida, de forma individual e coletivamente, pois o ser humano não dispõe do direito da vida: “ […] somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão da Lei divina.” [3]. Neste sentido, afirma Manoel Philomeno de Miranda: “[…]. O suicídio é terrível mal que aumenta na Humanidade e que deve ser combatido por todos os homens. Essa rigidez mental que resolve pela solução trágica é doença complexa. […].” [4]
Conscientizar as criaturas a respeito das consequências do ato, no Além-Túmulo, das dores que maceram os familiares e do ultraje às Leis Divinas, é método salutar para diminuir a incidência dessa solução insolvável. Dialogar com bondade e paciência com as pessoas que têm propensão para o suicídio; sugerir-lhes dar-se um pouco mais de tempo, enquanto o problema altera a sua configuração; evitar oferecer bases ilusórias para esperanças fugazes que o tempo desmancha; estimular a valorização pessoal; acender uma luz no túnel do seu desespero, entre outros recursos, constituem terapia preventiva que se fortalecerá no exercício da oração, das leituras otimistas, espirituais, nos passes e no uso da água fluidificada. [4]
A titulo de ilustração, há uma publicação de 20 014 da Organização Mundial de Saúde/ OMS que afirmava que a cada 40 segundos uma pessoa suicida no mundo [5], e, nos dados estatísticos apresentados em março se 20256, pela mesma OMS, encontramos estes dados [6]:
- cada ano morre cerca de 720.000 pessoas por suicídio;
- é a terceira causa de morte em pessoas de 15 a 29 anos de idade;
- são múltiplas as causas de suicídio, tais como: fatores sociais, culturais, biológicos, psicológicos e ambientais presentes ao longo da vida.
A Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ informa que no Brasil ocorreu um aumento do número de suicídios: “A taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano no Brasil entre os anos de 2011 e 2022. […]. O número foi maior que na população em geral, cuja taxa de suicídio teve crescimento médio de 3,7% ao ano.[…]”. [7] O número de suicidas do sexo masculino é maior do que o das mulheres. Este é o único dado estatístico que permanece estável desde o século dezenove, ainda que o número total de suicídio tenha aumentado em ambos os sexos, ao longo do período.
Em geral, as pessoas com propensão ao suicídio demonstram significativo desgosto pela vida, cujas causas podem ser assim resumidas, segundo O Livro dos Espíritos: “Efeito da ociosidade, da falta de fé e, muitas vezes, da saciedade. […]”. [8] Contudo, é oportuno considerar que há outros fatores que podem estar associados ao suicídio; por exemplo, quando o indivíduo relevar possui doença mental ou nos casos avançados de obsessão. Outros fatores podem ser apontados:
A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio: produzem a covardia moral.
[…]. A propagação das ideias materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se fazem seus defensores assumem terrível responsabilidade. Com o Espiritismo a dúvida já não é possível, modificando-se, portanto, a visão que se tem da vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para além do túmulo, mas em condições muito diversas. Daí a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; daí, numa palavra, a coragem moral. [9]
REFERÊNCIAS
[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano quinto – 1862. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. Rio de Janeiro FEB, 2006. Estatística de Suicídios.
[2] Disponível em: https://pt.countryeconomy.com/demografia/mortalidade/causas-morte/suicidio/franca Acesso: 11/09/2025.
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13. imp. FEB, 2006. Brasília: FEB, 2023, q. 944.
[4] FRANCO, Divaldo Pereira. Temas da vida e da morte. Pelo Espírito Manoel Philomena de Miranda. 7 ed. Brasília: FEB, 2012, capítulo: Suicídio – solução insolvável.
[5] Disponível em: https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/uma-pessoa-se-suicida-no-mundo-a-cada-40-segundos-oms-indica-epidemia Acesso: 11/09/2025.
[6] Disponível em: https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/suicide Acesso: 11/09/2025.
[7] Disponível em: https://fiocruz.br/noticia/2024/02/estudo-aponta-que-taxas-de-suicidio-e-autolesoes-aumentam-no-brasil Acesso: 11/09/2025.
[8] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13. imp. FEB, 2006. Brasília: FEB, 2023, q. 943.
[9] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13. imp. FEB, 2006. Brasília: FEB, 2023, cap. V, it. 16.
Editorial FEB
2025
O TESOURO MAIOR
“Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 12, versículo 34.)
No mundo, os templos da fé religiosa, desde que consagrados à Divindade do Pai, são departamentos da casa infinita de Deus, onde Jesus ministra os seus bens aos corações da Terra, independentemente da escola de crença a que se filiam.
A essas subdivisões do eterno santuário comparecem os tutelados do Cristo, em seus diferentes graus de compreensão. Cada qual, instintivamente, revela ao Senhor onde colocar seu tesouro.
Muitas vezes, por isso mesmo, nos recintos diversos de sua casa, Jesus recebe, sem resposta, as súplicas de inúmeros crentes de mentalidade infantil, contraditórias ou contraproducentes.
O egoísta fala de seu tesouro, exaltando as posses precárias; o avarento refere-se a mesquinhas preocupações; o gozador demonstra apetites insaciáveis; o fanático repete pedidos loucos.
Cada qual apresenta seu capricho ferido como sendo a dor maior.
Cristo ouve-lhes as solicitações e espera a oportunidade de dar-lhes a conhecer o tesouro imperecível. Ouve em silêncio, porque a erva tenra pede tempo destinado ao processo evolutivo, e espera, confiante, porquanto não prescinde da colaboração dos discípulos resolutos e sinceros para a extensão do divino apostolado. No momento adequado, surgem esses, ao seu influxo sublime, e a paisagem dos templos se modifica. Não são apenas crentes que comparecem para a rogativa, são trabalhadores decididos que chegam para o trabalho. Cheios de coragem, dispostos a morrer para que outros alcancem a vida, exemplificam a renúncia e o desinteresse, revelam a Vontade do Pai em si próprios e, com isso, ampliam no mundo a compreensão do tesouro maior, sintetizado na conquista da luz eterna e do amor universal, que já lhes enriquece o espírito engrandecido.
Livro "Caminho, Verdade e Vida"
Pelo Espírito Emmanuel
Francisco Cândido Xavier
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